Sem machos, uma fêmea de tubarão-zebra deu a luz a três bebês sozinha

Sem machos, uma fêmea de tubarão-zebra deu a luz a três bebês sozinha

Em um aquário da Austrália, uma fêmea de tubarão-zebra, separada de seu parceiro há 4 anos, conseguiu se auto reproduzir e dar a luz a três filhotes.

Quem disse que um macho era indispensável para se reproduzir? Um tubarão-zebra fêmea (Stegostoma fasciatum) provou o contrário no Reef HQ Aquarium em Toswnville, Austrália. De acordo com um estudo publicado na Scientific Reports, o animal que atende pelo nome de Leonie deu à luz três bebês.

Questão principal: a fêmea não convive com nenhum macho no seu aquário. Logo, os cientistas inicialmente pensaram que ela havia armazenado esperma de seu ex-parceiro e utilizado parte desse suprimento para se reproduzir - uma habilidade bem conhecida em tubarões. Leonie havia passado vários anos na companhia desse parceiro com quem teve muitos filhotes.

No entanto, o "caso de amor" havia terminado quatro anos antes, quando o macho foi transferido para outro aquário. Desde este período, o casal nunca mais entrou em contato e Leonie também não teve companhia de qualquer outro macho - apenas outras fêmeas foram colocadas junto a ela no aquário e isso nem sempre funciona.

Um comportamento incompreendido

Ao conduzir análises de DNA na nova prole, os cientistas rapidamente refutaram a hipótese do armazenamento de espermatozoides. Eles descobriram que os bebês só mostravam DNA de um dos pais - da fêmea - o que significava que eles haviam sido gerados através de reprodução assexuada.

Algumas espécies de vertebrados são capazes tanto de se reproduzir sozinhas quanto com parceiros - o que é particularmente o caso de alguns tubarões, perus, dragões de Komodo, cobras e raias. No entanto, geralmente, isto se trata de uma fêmea que nunca teve em contato com um macho e, portanto, nunca experimentou a reprodução sexual.

"São poucos os casos de reprodução assexuada em fêmeas com histórico sexual", afirma Christine Dudgeon da Universidade de Queensland, na Austrália, e autora do estudo. Uma espécie particular de águia e jiboia são os únicos outros animais nos quais uma passagem de reprodução sexual para reprodução assexuada foi observada em cativeiro.

Um fenômeno útil no curto prazo

"Nas espécies que são capazes de ambos os modos reprodutivos, existem algumas observações da passagem da reprodução assexuada para a reprodução sexuada", diz Russell Bonduriansky, da Universidade de New South Wales, em Sydney. "No entanto, é muito mais raro observar uma mudança na outra direção".

Nos tubarões, a reprodução assexuada pode ocorrer quando um óvulo da fêmea é fertilizado por uma célula semelhante, conhecida como "glóbulo polar", que também contém o DNA feminino. Este fenômeno é chamado partenogênese. O problema é que essa reprodução leva a extrema endogamia, isto é, a produção de indivíduos intimamente ligados geneticamente.

Isso resulta no nascimento de organismos homozigotos que podem levar sérios riscos à saúde dos filhotes. "Não é uma estratégia para sobreviver por muitas gerações, porque reduz a diversidade genética e adaptabilidade", diz Christine Dudgeon.

Menos raro do que pensamos?

No entanto, isso pode ser útil quando não há mais machos na população. "Pode ser um mecanismo de manutenção, os genes da mãe são transmitidos de mulher para mulher até que haja machos disponíveis para acasalar", diz o especialista que sugere que esse fenômeno não é não seja tão raro na natureza.

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Só que, como ele não é necessariamente conhecido, ele não é desejado. "Pode ser muito mais comum do que pensamos", confirma Bonduriansky. Dr. Dudgeon e seus colegas agora planejam rastrear os filhotes até a maturidade e determinar se esses tubarões-zebra podem se reproduzir com um parceiro.

Flávio Soares
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