Imagens raras de tubarões da Groenlândia são capturadas nas águas do Ártico

Imagens raras de tubarões da Groenlândia são capturadas nas águas do Ártico

Dois pesquisadores de uma universidade canadense conseguiram capturar sequências de vídeos que mostram o nado lento de um animal desconhecido e misterioso: o tubarão da Groenlândia. O vertebrado aquático impressiona pela sua expectativa de vida, que pode chegar a perto de 500 anos. Um recorde que não deve fazer com que esqueçamos as ameaças ecológicas que pairam sobre esse tubarão.

Se o grande tubarão branco ou o tubarão-baleia nos vêm geralmente à mente quando falamos de tubarão, essa família abriga outras espécies ainda que desconhecidas, absolutamente fascinantes. Esse vídeo mostra uma esplêndida amostra disso. Registrados por cientistas nas profundezas sub-marinas do Ártico canadense, as imagens mostram a lenta progressão de um animal tão estranho quanto raro, o tubarão da Groenlândia.

"Coletar informações em profundidades extremas e em águas cobertas de gelo sazonalmente é especialmente difícil. Apesar disso, nós recentemente capturamos uma das primeiras sequências de vídeo de tubarões da Groenlândia no Ártico canadense", orgulham-se, em um artigo publicado no site do jornal The Conversation, os dois que deram origem a esse relato inédito mundialmente, Brynn Devine e Jonathan Dempsey, biólogos da Universidade Memorial de Terre-Neuve, Canadá.

As suas incríveis observações aconteceram entre os meses de julho e setembro de 2015 e 1016, como é dito em uma publicação de fim de janeiro na revista Scientific Reports. Dois períodos sucessivos ao longo dos quais a dupla de biólogos marinhos tentava simplesmente sondar as profundezas do oceano, à procura de vida. A operação foi feita com ajuda de uma série de câmerassub-marinas protegidas, no total 31, posicionadas em diferentes pontos do solo oceânico ao longo do território federal canadense de Nunavut.

Observações quase que fortuitas

"Nós simplesmente as posicionamos e as esquecemos lá, por oito a dez horas", explica Brynn Devine. A esperança dos cientistas era então que fossem capturadas imagens de organismos comuns como camarões ou caramujos marinhos. Os resultados da série de buscas, no entanto, ultrapassou todas as expectativas. Em perto de 80% das imagens, os biólogos tiveram a surpresa de observar o animal misterioso que é o tubarão do Groenlândia.

Ao todo, mais de 142 espécimes foram imortalizadas em mapas registrados pelas câmeras numéricas, que possibilitaram coletar perto de 250 horas de vídeos. Nesses trechos, Brynn Devine e Jonathan Dempsey puderam observar o lento nado dos tubarões da Groenlândia, uma atividade rara para esses animais que pertencem à família dos tubarões-dormedores, e que, como diz o próprio nome, raramente entram em movimento. O seu tamanho varia entre um metro e cinquenta e até o dobro em outras espécies.De acordo com os cientistas, trata-se então de jovens animais, os adultos medem entre 3 e 4,5 metros de comprimento. Jovens ao ponto de não estarem ainda na idade de se reproduzirem. Para o tubarão da Groenlândia, a idade de maturidade sexual chega muito tardiamente.

Vida desacelerada

De acordo com especialistas da espécie, o tubarão da Groenlândia só fica apto a se reproduzir a partir dos cinquenta anos em média, uma idade avançada que poderia a princípio parecer inacreditável, mas que no final não mostra nada de exagerado se observarmos a expectativa de vida fora do comum dos animais, que vai para mais de cinco séculos! Os tubarões da Groenlândia são assim os vertebrados que mais vivem no mundo. Uma duração de vida que os faria passar quase que por fósseis.

Ancestrais, no entanto, firmes e fortes em suas vidas, mas com uma aura digna de fantasmas. Os olhos do tubarão da Groenlândia lembram os de um espectro, e são envoltos de vermes parasitas colados a sua pele. Sua face aberta permanentemente, que lhe possibilita capturar suas presas, que às vezes se limitam a carcaças em putrefação de ursos polares. Um menu certamente um pouco repulsivo, mas que parece despertar o apetite do tubarão da Groenlândia.

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Apesar do seu aspecto e seu comportamento ameaçadores, esses animais singulares são na verdade bem vulneráveis. Eles sofrem por múltiplos fatores: pesca excessiva, degradação do habitat, ou até aquecimento climático. O aquecimento dos oceanos provoca consequentemente uma diminuição rápida da superfícies do banco ártico. Um fenômeno que torna as profundezas dessa extensão polar particularmente vulnerável.

"É importante que nós entendamos o meio de vida dessas criaturas, grandes e antigas", conclui assim Brynn Devine. Surpreendente e misterioso, o tubarão da Groenlândia não para de intrigar a comunidade científica.

• Marcos Silva
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