O mistério dos grandes tubarões brancos com fígado devorado que aparecem na África do Sul

O mistério dos grandes tubarões brancos com fígado devorado que aparecem na África do Sul

Um grande tubarão branco de quatro metros apareceu numa praia de Gansbaai na África do Sul. De acordo com uma autópsia feito, seu fígado, seus testículos e seu estômago estavam faltando. É o quarto tubarão a aparecer na praia no último ano.

O que acontece no litoral do Cabo Ocidental na África do Sul? Desde o começo de maio, vários grandes tubarões brancos (Carcharodon carcharias) apareceram mortos na praia do porto de Gansbaai. Espécimes que têm todas um ponto em comum: foram encontrados parcialmente devorados e notoriamente sem fígado.

O último espécime visto apareceu no último dia 26 de junho. De acordo com a equipe da fundação Dyer Island Conservation Trust (DICT) que examinou o animal, tratava-se de um macho de 4,1 metros de comprimento. A autópsia revelou que seu fígado e também seus testículos e seu estômago estavam faltando.

"A carcaça poderia estar de vários dias, mas ela parece relativamente fresca e está sangrando abundantemente", explicou Alison Towner, biólogo do DICT citado pelo blog do Marine Dynamics, sociedade que propõe mergulhos em gaiolas no meio dos tubarões. O porto de Gansbaai é, assim, um destino conhecido pela sua abundante população de tubarões.

Vítima de orcas?

Ninguém viu os últimos momentos dos quatro tubarões descobertos mortos, mas os ferimentos observados em seus corpos parecem indicar os responsáveis: orcas (Orcinus orca). Os cetáceos são conhecidos por ser predadores terríveis, mesmo que os tubarões brancos não façam parte de sua dieta regular, esse fato não é inédito.

Igual aos grandes tubarões brancos, as orcas evoluem ao longo do litoral da África do sul, onde os oceanos Atlântico e Índico se encontram. Ora, mesmo que Andrew Nosal, especialista do Saint Katherine College de San marcos (Califórnia), entrevistado pela LiveScience, nunca tenha ouvido falar de um ataque de orcas a um tubarão dessa região, já houve casos similares em outras regiões.

Em 2014, por exemplo, um grupo de orcas foram filmadas atacando violentamente um tubarão tigre. Entretanto, esses cetáceos, bem como outros mamíferos marinhos conhecidos por caçar tubarões menores, como o tubarão martelo, do qual eles devoram geralmente o fígado. Órgão que não é escolhido à toa.

Grande e rico em gorduras

Os tubarões têm fígados relativamente enormes. Como bem explica Andrew Nosal, "os peixes ósseos têm uma bexiga natatória que eles podem encher de gás, as quais fornecem a capacidade de boiar aos peixes. Todavia, os tubarões não possuem bexiga natatória. No lugar, eles tem um enorme fígado". É portanto esse órgão que faz com que os tubarões possam flutuar.

Além de serem ricos em gorduras, o fígado dos tubarões é "muito energético e rico em nutrientes". O que não torna tão impressionante assim o fato de as baleias assassinas irem direto a esse ponto. "Elas têm um metabolismo elevado e grandes necessidades nutricionais, então, essas gorduras podem realmente ajudá-las", continuou Nosal.

De acordo com o blog da marine Dynamics, um par de orcas foi efetivamente observado no litoral de Danger Point na manhã do dia em que o quarto tubarão naufragou. No mesmo dia, entretanto, todos os mergulhos organizados não conseguiram observar grandes tubarões brancos pela superfície. Resta saber agora se os cetáceos são de fato a origem da morte dos tubarões.

Mortos ou apenas devorados?

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Sem testemunha ou vídeo de prova, é difícil de saber se as orcasmataram os tubarões antes de devorá-los ou se ela se contentaram com o ataque a espécimes já mais mortos do que vivos. Todavia, Andrew Nosal descarta a teoria de acordo com a qual os grandes tubarões brancos poderiam ter sido vítimas de uma colisão com um barco.

"Esses tubarões são certamente frequentes na superfície, então, uma colisão com barco é possível", explicou para a LiveScience. "No entanto, dado que os três tubarões naufragaram mais ou menos no mesmo período, três colisões com barcos é algo pouco provável", concluiu.

De Freitas Agostinho
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