Supercontinente: é assim que a terra pode ficar em 200 milhões de anos

Supercontinente: é assim que a terra pode ficar em 200 milhões de anos

Uma equipe de pesquisadores tentou modelizar a forma que pode tomar o próximo supercontinente terrestre. No conjunto, eles propõem quatro cenários possíveis.

A Terra é uma criatura tão mutante quanto instável. Longe de ser uma simples bola de rocha fixa, ela se transforma ao longo de milhões de anos, sob a impulsão das placas tectônicas. Há 300 milhões de anos, todos os continentes formavam apenas um único e só supercontinente, a Pangeia, que começou, em seguida, a se fragmentar, concebendo outros supercontinentes menores.

Mas como ficará o nosso planeta azul daqui a 200 milhões de anos? É a questão a qual pesquisadores tentaram responder modelizando a aparência da nossa futura Terra.

Rumo ao próximo supercontinente

Ao longo da sua viagem, acontece uma aproximação regular e corrente que faz com que os continentes se aproximem devendo formar futuramente um supercontinente. Ao cabo de algumas centenas de milhões de anos, eles se separam novamente para se afastarem um dos outros para mais tarde se aproximarem novamente. Os pesquisadores estimam que nós estamos no meio desse processo, e que o próximo supercontinente nascerá em 400 ou 600 milhões de anos.

"A questão é: como o próximo supercontinente se formará e por quê?" Questionam os pesquisadores no site The Conversation"Há quatro cenários fundamentais para a formação do próximo supercontinente: Novopangea, Pangea Ultima, Aurica e Amasia." A dinâmica de separação da Pangeia (literalmente "conjunto das terras"), último supercontinente conhecido, determina a forma como os continentes se movem e se encontrarão no futuro.

Quatro opções

Atualmente, o oceano Pacífico se estreita progressivamente (a um ritmo imperceptível em escala de tempo humana), oferecendo ao oceano Atlântico o espaço necessário para se estender. Se essa tendência se concretizar "nós teremos um cenário em que o próximo supercontinente se forma de forma anteposta à Pangeia". Essa nova Pangeia, ou Novopangea formaria uma massa no centro do atual Pacífico, combinando o conjunto dos continentes que nós conhecemos.

A abertura do Atlântico poderia, todavia, desacelerar e se inverter, formando um cenário completamente diferente. Nós teríamos então uma recombinação da Pangeia, isolada e inundada no centro de um gigantesco oceano Pacífico. Dessa vez, no entanto, os continentes pareceriam constituir um tipo de anel terrestre em que a América do Sul se juntaria ao Leste da Ásia pelo continente antártico; Pangea Ultima.

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Se, no entanto, novas zonas de subducção tomarem forma no Atlântico (um fenômeno que pode acontecer agora mesmo), ele e o oceano Pacífico se fechariam e abririam uma nova bacia oceânica. Causando nessa passagem a ruptura em dois do continente asiático, esse fenômeno traria o nascimento da Aurica.

Por fim, o supercontinente Amasia reserva um tipo ainda bem diferente da Terra. "Muitas placas tectônicas se dirigem atualmente para o Norte, inclusive a África e a Austrália. [...] Por causa dessa deriva setentrional, nós podemos esperar um cenário em que os continentes [...] se juntariam finalmente ao polo Norte." Os pesquisadores acham que no final, a Novopangeia constituirá o cenário mais provável, mas apenas o futuro nos dirá como será a Terra de amanhã.

• Marcos Silva
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