Esse filhote de tartaruga albina consegue viver mesmo com o coração do lado de fora

Esse filhote de tartaruga albina consegue viver mesmo com o coração do lado de fora

Nos Estados Unidos, uma pequena tartaruga nasceu com uma má formação cardíaca raríssima: seu coração se desenvolveu do lado de fora do tórax, mais para a parte inferior da carapaça. "Ectopia" que poderia comprometer a vida de Hope, mas seu proprietário cuida muito bem dela para que o seu quadro não se agrave.

Essa pequena tartaruga leva muito bem seu nome: Hope, que, em inglês, significa "esperança". É assim que foi batizada a pequena tartaruga nascida em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Vale lembrar, efetivamente, que o animal parece ter nascido não com a melhor das sortes: além de ser albina, notou-se que a tartaruga sofria de uma grave má formação cardíaca chamada ectopia.

No ser humano, a ectopia cardíaca atinge apenas cerca de uma criança a cada 126.000. O mau posicionamento do coração que acontece no momento do desenvolvimento do embrião, e que provoca migração aleatória do coração no organismo. No caso dessa "tartaruga de barriga vermelha" (Emydura subglobosa), foi para o lado de fora do tórax que seu coração se deslocou, desenvolvendo-se assim na parte inferior de sua carapaça. Um caso raríssimo, que às vezes é acompanhado de má formações cardíacas e que poderiam acarretar consequências fatais.

Milagre ainda vulnerável

Apesar de todos os obstáculos, a pequena tartaruga Hope sobreviveu e está dispondo de toda a atenção necessária de seu proprietário, Mike Aquilina: "Ela é tão pequena e tão frágil, a mais delicada do mundo, mesmo que ela não tenha medo de nada". Para cuidar dela, o criador amador não pode se apoiar sobre a experiência de um proprietário que já passou pela mesma má formação, o caso de Hope é único. Portanto, como ele explica, é o seu "bom-senso" que o guia em suas intervenções.

"Tento garantir que sua água esteja sempre extremamente limpa, forneço um ambiente de repouso o mais agradável possível, e eu a manipulo o mínimo necessário. Optei por uma abordagem mais natural do que uma completamente artificial. O objetivo é mantar sua má formação sadia e seu sistema imunológico forte", detalha o criador amador que tomou a precaução de isolar sua pequena protegida dos outros congêneres.

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Isolada por precaução

"Eu não posso correr o risco de outra tartaruga acertar acidentalmente seu pericárdio [o saco feito para segurar o coração e seus vasos]. Talvez um dia, futuramente, quando ela crescer, e for menos susceptível a infecções bacterianas. Por enquanto, ele tem que viver numa certa bolha", justifica Mike Aquilina. Um tratamento com o qual Hope não parece - apesar de tudo - estar sofrendo com as medidas...

"Ela come e fica impaciente quando fica sim. Hope adora [camarõezinhos Mysida] e eu tiro para ela a parte quitinosa externa mais dura, para que seja mais fácil para ela engolir e digerir. Faço a mesma coisa também com os krill [pequenos camarões de água fria], e os capucettes congelados [pequenos peixes]. Ela gosta também de amêijoas, caracóis e vermes de vaso congelados [Glycera]", completa a descrição o criador. Um menu bem... completo e para que seja bem aproveitado tem mesmo que ficar com o coração firme e forte.

De Freitas Agostinho
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