As mulheres fingem duas vezes mais que há 20 anos

As mulheres fingem duas vezes mais que há 20 anos

Nessa onda do dia dos namorados internacional, dois estudos acabam de revelar que o prazer sexual está menos presente do que se pensava. E se 2 de cada 3 mulheres já simularam o prazer sexual, constata-se que mais de 40% dos homens também já o fizeram. Mas de onde vem esse hábito de mentir sobre a chegada ou não ao orgasmo? Explicações.

Os cupidos tiveram problemas para atuar nas 24 horas antes da celebração do dia dos namorados internacional! De acordo com dois estudos, um deles realizado pelo instituto de pesquisas Ifop para o site Oline Seduction e outro pelo site de telemedicina Zava, a cena do orgasmo simulado do filme "Harry e Sally - Feitos Um para o Outro" também aconteceria na vida real. E não só pela parte das mulheres!

As mulheres simulam duas vezes mais que há 20 anos

Os últimos números publicados sobre o prazer sexual devem render trabalho suficiente para Otis Milburn, o herói da série que virou fenômeno, Sex Education, para mais algumas temporadas. Efetivamente, de acordo com o estudo Ifop/Online Seduction, realizado com uma amostra de 1.210 pessoas, representando a população francesa de a partir de 18 anos, a simulação do orgasmo é mais frequente do que se imaginava.

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Assim, em 2019, 2 mulheres de cada 3 (59%) reconhecem já ter fingido um orgasmo ao longo de seu vida. Ou seja, 2 vezes mais que há 20 anos (32% em 1998). A pesquisa mostra também que as pessoas de menos de 30 anos simulam mais vezes o clímax do que os mais velhos, uma vez que, nessa faixa, elas totalizam 67% que já fingiram para um parceiro. Ao contrário de uma ideia mantida, essa atitude não é exclusiva das mulheres uma vez que 42% dos homens interrogados responderam que também já aconteceu com eles de simularem em suas vidas.

Diferenças de acordo com a orientação sexual

Fora isso, as pesquisas feitas pela Zava, que interrogou mais de 2000 homens e mulheres na Europa e nos Estados Unidos mostram que há, entretanto, uma diferença de acordo com as práticas sexuais de cada um. Assim, as mulheres heterossexuais (68%) estão mais ainda inclinadas à simulação que as mulheres bissexuais (67%) e lésbicas (59%). Na contramão, os homens bissexuais (34%) ou homossexuais (48%) fingem o prazer mais frequentemente que os homens heterossexuais. E para os que gostam de estatísticas geográficas, saiba que os norte-americanos (53%) são mais numerosos que os europeus (36%) a dar um grande "Sim" para a simulação e não para o orgasmo, quando foram perguntados se já fingiram ou não entre os lençóis. Mas por que afetar o prazer sexual?

Ledo engano?

Enquanto se pensava ingenuamente que se vivia numa época sem tabus na qual o sexo é onipresente, percebe-se que essa liberação nos costumes não facilitou necessariamente o diálogo. Ainda menos em se tratando dos mais interessados: os parceiros sexuais.

O estudo Ifop relata que diante da pergunta feita pelo parceiro de cama: "você chegou?", "38% das mulheres e 19% dos homens já responderam afirmativamente sendo que não era o caso. Mentira que as mulheres justificam dizendo que foi para "não constranger seu parceiro" e também para "não ferir a autoestima que os homens têm". Um silêncio, portanto, para proteger o ego masculino, mas isso não as impede de romper o relacionamento com eles.

Vinte e quatro porcento delas admitem terem posto fim a uma relação, pois elas não conseguiam ter um orgasmo, mas também por que elas achavam que seus parceiros não eram cuidadosos o bastante para o fato de que elas não tinham chegado lá. Mas como isso poderia ser diferente se elas simulam e não dizem a verdade? Uma questão que colocamos igualmente para os homens, uma vez que eles são 23% a considerarem que suas parceiras não são "tão preocupadas com o seu prazer" e 38% deles que suas parceiras atuais "não é a melhor que já teve"!

Assim, ficamos diante de um círculo vicioso no qual se esconde a verdade e do qual precisa-se sair urgentemente. Para isso, seria necessário, em primeiro lugar, estabelecer uma comunicação melhor, quebrando o tabu que é o orgasmo e sobretudo pensar bem nas razões mais profundas que impedem o orgasmo.

• De Freitas Agostinho
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