Fadiga, incontinência, disfunção erétil: os sintomas invisíveis da esclerose múltipla

Fadiga, incontinência, disfunção erétil: os sintomas invisíveis da esclerose múltipla

O Dia Mundial da Esclerose Múltipla foi lembrado em 30 de maio. Maxi Sciences irá revelar mais sobre esta doença pouco conhecida mas que afeta muitas pessoas, em sua maioria mulheres, que muitas vezes não reconhecem os sintomas. Um neurologista e um paciente concederam uma entrevista para nos ajudar a entender melhor esta aflição.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica do sistema nervoso central. O professor Jean Pelletier, neurologista do Hospital Timone (em Marselha, na França), especialista em esclerose múltipla e presidente do Comitê Médico e Científico da Fundação ARSEP (sigla em francês para Fundação para a Pesquisa sobre a Esclerose Múltipla) ajuda-nos a entender melhor os sintomas invisíveis que afetam as pessoas com esclerose múltipla. Annie Serezo sofre da doença há 32 anos e é voluntária na ARSEP. Ela relata a Maxi Sciences como é a sua vida diária, suas dificuldades e também fala sobre os sintomas invisíveis. Seu testemunho completo está no vídeo.

Quais são os sintomas invisíveis da esclerose múltipla?

Prof. Pelletier: Estes são sintomas bastante precoces da doença: dificuldades de atenção, concentração,  especialmente em trabalhos rápidos. Os pacientes não apresentam nenhum sintoma do ponto de vista da memória, mas têm dificuldade em fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

Quais são os mais comuns?

Prof. Pelletier: O sintoma mais comum e mais incapacitante é a fadiga. Para tentar entender, é necessário colocar-se no lugar da pessoa: é como se o paciente estivesse constantemente gripado. É um sintoma que tem um impacto muito importante sobre os jovens em situação profissional e que necessitam de atenção, concentração e rapidez. Com a fadiga física, o paciente não tem vontade de sair nos fins de semana ou levar as crianças para fazer um esporte. Isso é extremamente incapacitante, especialmente se forem jovens, esse sintoma pode realmente limitar sua qualidade de vida.

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A segunda desordem são os distúrbios esfincterianos: o mais comum é a incontinência urinária (ir com frequência ao banheiro). Esses distúrbios têm impacto na qualidade de vida pessoal e profissional. Eles não são visíveis e são difíceis de expressar ao neurologista. Não hesite em falar sobre isso.

Depois, há problemas sexuais: o mais comum é a disfunção erétil. Nas mulheres, isso pode acontecer na forma de insensibilidade ou dificuldade em alcançar o prazer sexual.

Como cuidar desses distúrbios?

Prof. Pelletier: Como eles são invisíveis, eles devem ser examinados e avaliados com cuidado. Fadiga é difícil de administrar, há poucas drogas que ajudam. O neurologista pode recomendar um exercício físico através de uma atividade regular que não exige muito esforço. São particularmente recomendadas: atividades na água, como natação, hidroginástica, aquicultura ou bicicleta ergométrica.

De Freitas Agostinho
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