Doença de Alzheimer: é feita uma ligação com o vírus de herpes

Doença de Alzheimer: é feita uma ligação com o vírus de herpes

Depois de mais de vinte anos de pesquisa, cientistas parecem ter encontrado uma pista surpreendente, mas séria, para prevenir o Mal de Alzheimer. Um suspeito é, de fato, agora claramente apontado: HSV-1, mais conhecido sob o nome de vírus herpes simplex tipo 1. Este agente patogênico é conhecido por causar o herpes labial, e contra o qual já existem agentes anti-virais eficazes.

Ele afeta quase 30 milhões de pessoas em todo o mundo. Uma verdadeira "pandemia", que nenhum tratamento ainda conseguiu erradicar. Mas, recentemente, renasceu a esperança de ver um dia desaparecer a doença de Alzheimer. Pesquisadores identificaram um suspeito. No banco dos réus, um líder em potencial para os menos prováveis: o vírus da herpes.

"Meu último estudo sugere uma maneira de tratar a doença. Eu encontrei a evidência mais forte até agora de que o vírus do herpes é uma causa da doença de Alzheimer", revela, no site The Conversation, a Professora Ruth Itzhaki, que tem buscado por mais de 25 anos em seu laboratório na Universidade de Manchester, no Reino Unido, uma forma para evidenciar essa relação potencial.

O suspeito é conhecido como vírus Herpes simplex tipo 1, também conhecido como HSV-1, um patógeno já identificado como responsável pelo herpes labial. Geralmente infectando a pessoa durante a infância, o vírus permanece adormecido até que o estresse no corpo desencadeie sua reativação. Presumível covil deste patógeno: o sistema nervoso periférico, conjunto de nervos e gânglios localizados fora do cérebro e da medula espinhal. Um esconderijo questionado desde alguns anos.

Uma relação surpreendente

"Descobrimos em 1991 que, em muitas pessoas idosas, o HSV-1 também estava presente no cérebro", revela Ruth Itzhaki. Uma descoberta inesperada que levou a cientista e sua equipe a aprofundar suas investigações.

"Em 1997, mostramos que se representa um risco significativo de Mal de Alzheimer quando o [HSV-1] está presente no cérebro de pessoas que têm um gene específico conhecido como APOE4", explica Ruth Itzhaki. "A probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer é 12 vezes maior para os portadores do gene APOE4 cujo cérebro está infectado com o vírus HSV-1, do que para aqueles que não têm nenhum desses fatores", quantifica a pesquisadora. 

Danos cumulativos

"O vírus pode se tornar ativo no cérebro, talvez repetidamente, e isso provavelmente causa danos cumulativos", hipotetizou Ruth Itzhaki. "Nós, e outros, descobrimos que a infecção de culturas de células HSV-1 causa um acúmulo de beta-amilóide e de proteínas tau anormais. Proteínas cujo acúmulo no cérebro é característico do Mal de Alzheimer ", revela finalmente a especialista.

A identificação de efeitos inesperados deste vírus abre assim o caminho para o desenvolvimento de tratamentos eficazes para enfim lutar contra o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como Ruth Itzhaki espera: "Estes dados sugerem que os agentes antivirais poderiam ser usados para tratar o Mal de Alzheimer. Em um estudo anterior, nós descobrimos que o aciclovir, um medicamento antiviral contra o herpes, bloqueia a replicação do DNA do HSV-1 e reduz os níveis de beta-amilóide e proteínas tau causados pela infecção de culturas de células pelo vírus do herpes", explica Ruth Itzhaki.

Uma esperança ainda incerta

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Apesar de cheias de esperança, as perspectivas oferecidas por essas descobertas ainda devem ser vistas com precaução, segundo a própria especialista: "É importante notar que todos os estudos, incluindo o nosso, mostram apenas uma associação entre o vírus do herpes e o Mal de Alzheimer - eles não provam que o vírus é uma causa verdadeira". Como diz o ditado, "a correlação não implica em causalidade".

Mas mesmo que mantenhamos a cautela, os primeiros testes de tratamento preventivo com base em uma luta contra o vírus do herpes parecem dar resultados. "Fato animador, a prevenção eficaz do Mal de Alzheimer através do uso de agentes anti-herpes específicos já foi demonstrado em um estudo populacional em larga escala [realizada] Taiwan" afirma Ruth Itzhaki. Com um pouco de sorte, as informações de outros países, quando estiverem disponíveis, iram produzir resultados semelhantes", finalmente observa essa professora emérita de neurobiologia molecular. A esperança de ver a pandemia neurodegenerativa finalmente regredir é, em todo caso, mais do que nunca possível!

De Freitas Agostinho
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