A doença do super-sono existe e não é a preguiça

A doença do super-sono existe e não é a preguiça

A doença caracteriza-se pela sonolência em excesso e dificuldade em acordar por dias.

Não é preguiça ou falta de vontade!

Existem pessoas que não têm dificuldade em acordar cedo, ou que até mesmo gostam; mas temos de concordar que as que não gostam nem um pouco de "acordar com as galinhas" são a maioria da população. Quando toca o despertador, colocamos no modo soneca sempre seguindo em busca daqueles "mais cinco minutinhos" de sono, e isso é algo totalmente natural.  

Porém, existem pessoas que precisam colocar vários despertadores altíssimos, serem cutucadas e balançadas por familiares e até mesmo tomam medicamentos para conseguirem acordar. Esses indivíduos podem não sofrer com a preguiça ou falta de vontade de acordar, mas podem sim sofrer de hipersonia idiopática, uma doença bastante rara que faz com que a pessoa sinta um sono excessivo e dificuldades em acordar; elas podem passar até mesmo dias a fio dormindo. Alguns estudos revelam que, pessoas com dificuldade de levantar da cama são mais inteligentes, mas a hipersonia vai muito além de uma simples vontade de não sair da cama.

Uma paciente fala sobre a doença

Lucy Taylor mora no País de Gales e contou para as redes sociais e o canal de notícias da BBC como é viver com a doença, e diz que a causa ainda não é conhecida: "A doença faz com que eu durma por períodos muito longos - esta é a parte da hipersonia. Já o termo idiopática significa somente que a causa é desconhecida", explica ela. Ela diz também que passa os períodos do dia bastante cansada, e quando dorme o sono não cumpre o seu papel como deveria, apesar de durar por muitas horas ou até mesmo dias. "Eu costumo ficar muito cansada durante o dia. O sono simplesmente não é revigorante, e é extremamente difícil levantar depois que eu estou dormindo", conta Lucy.

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Ela relata que o período que mais dormiu em horas seguidas foi em um fim de semana no qual ela adormeceu na sexta-feira e acordou apenas na tarde de domingo: "Naquele fim de semana não tinha ninguém em casa para me acordar. Cheguei em casa do trabalho na sexta-feira por volta das 17h, me deitei, e quando acordei já era tarde de domingo". Sobre o tratamento, ela conta que toma cerca de 12 a 15 doses do remédio, tudo isso só para conseguir ficar acordada e manter-se assim no decorrer do dia.

Doença pouco conhecida

De acordo com os especialistas, a hipersonia atinge apenas 2 a cada 100 mil pessoas no mundo, sendo uma doença rara; além disso, pouco se sabe sobre ela. Os sintomas mais frequentes são: pegar no sono durante atividades comuns, como comer, tomar banho, etc; dormir durante muito tempo à noite com extrema dificuldade em acordar e sentir sono e tirar cochilos durante o dia, mas estes não são revigorantes e o sono persiste. Lucy compara a doença a uma tortura, e diz ser muito difícil de lutar contra o sono excessivo. "É quase como estar debaixo d'água tentando chegar à superfície. Quero ser deixada sozinha e dormir. É muito difícil lutar contra a necessidade de sono, é muito difícil permanecer acordada e ser uma pessoa funcional". Apesar de conhecermos muitos preguiçosos por aí, temos sempre de ficar atentos e procurar especialistas caso suspeite de alguém que tenha a doença! 

De Freitas Agostinho
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