Parovi: o reality show sérvio que ultrapassa todos os limites

Parovi: o reality show sérvio que ultrapassa todos os limites

Na categoria de programa ruim, Parovi é certamente o programa que ganha de longe o prêmio. Sem limite algum, esse reality show combina besteira, sexo e brigas de tudo quanto é tipo ao mesmo tempo que fascina a Sérvia e divide o resto do mundo. A Vanity Fair fez uma pesquisa sobre esse reality show em que todos os limites ficam para trás.

À primeira vista, Parovi é um reality show dos mais banais. Dez candidatos são fechados numa casa e filmados 24 horas por dia. Para apimentar o conjunto, eles são todos solteiros e dormem todos juntos num mesmo quarto. Até aí nada de novo, mas quando se vê um pouco mais de perto, o programa é bem mais estranho do que parece.

Transmitido 18 horas por dia no canal Happy TV, acompanhamos os cotidiano dos dez candidatos. Achamos que já tínhamos visto tudo em termos de trash e de sexy, no entanto... As jovens mulheres passam com roupas curtíssimas o dia todo enquanto os homens brigam, geralmente depois de ter bebido umas cervejas. Sem falar daqueles momentos mais quentes transmitidos da forma mais crua ao vivo. Filtro? Uma palavra que a televisão sérvia parece não conhecer.

Candidatos em situações judicialmente duvidosas

Entre os candidatos, vemos prostitutas buscando glória, criminosos, traficantes, chefões da máfia como também o presidente do Partido radical sérvio que foi incriminado por crimes de guerra e por crimes contra a humanidade como revela a pesquisa da Vanity Fair. E para levar os estereótipos ainda mais longe, a maior parte dos homens são idosos enquanto as mulheres são todas jovens, saradas e sobretudo pouquíssimo vestidas.

20 000 euros para poder sair do jogo

O que é mais impressionante nesse reality show é que esse jogo tecnicamente não tem fim. Na verdade, a Vanity Fair explica que quando um candidato assina seu contrato, nenhuma data de término é estipulada. Resultado: um candidato ficaria fechado na casa por mais de um ano e meio.

E para aqueles que queiram sair do jogo, não tem nada de simples. Basta assumir uma dívida de 20 000 euros. Uma somatória impossível de pagar para a maioria dos candidatos, sabendo que o salário médio na Sérvio gira em torno dos 400 euros.

Um homem à frente da cabeça do Parovi

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Mas o que o dono do programa faz? Nada, pois quem está no comando do programa se chama Milomir Maric, jornalista e apresentador de TV que está relacionado não necessariamente com as melhores pessoas, e que tem um poder sem precedentes. Ele soube utilizar a sua vantagem a briga e o sexo para fazer a audiência subir a tal ponto que Parovi é o programa mais visto na Sérvia: "As audiências estão subindo toda vez que os candidatos brigam, então, as brigas são boas para nós", defendeu-se ele em um documentário da 66 Minutes.

Por fim, a Vanity Fair revela que durante o verão de 2015, nada menos que 100 000 pessoas assinaram uma petição para por fim nesse programa, mas, logicamente, essa petição ficou sem resposta. Apenas o CSA decidiu responder, o mínimo que se pode dizer é que não dá para contar com eles para fazer alguma mudança: "O reality show é o espelho da Sérvia, agente começa a não gostar porque ele nos dá uma imagem que não nos agrada." Aqueles que se imaginam podendo mudar a Sérvia banindo os reality shows são megalomaníacos. Mesmo que eles apagados da tela, a Sérvia continuará a mesma: não seria mais culta, mais desenvolvido ou mais educada.

• De Freitas Agostinho
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