Pesquisadores revelam uma triste descoberta no fundo dos oceanos
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Pesquisadores revelam uma triste descoberta no fundo dos oceanos

Após 30 anos de coleta, uma base de dados constituída de milhares de fotos sub-marinas revela poluição dos oceanos por plástico até nas profundezas mais extremas. Resíduos de saco plástico foram espantosamente descobertos na fosse das Marianas, um abismo do Pacífico que chega a 11.000 metros debaixo d'água.

Será que a humanidade chegou ao seu limite? Todavia, é nesse nível do oceano que foi encontrado restos de poluição plástica de origem humana, em um lugar tão profundo que nunca havia sido descoberto até então, bem como revelo um estudo publicado no mês passado na revista Marine Policy.

Ao fim de um pouco mais de 5.000 mergulhos, os submarinos e os submersíveis teleguiados utilizados na missão permitiram trazer à superfície imagens uma mais impressionante que a outra, vindas das profundezas oceânicas.

Depois de analisar milhares de fotos subaquáticas, os cientistas reuniram nada menos do que 3.425 elementos de plástico de dejetos de todos os tipos de origem humana, e de um tamanho superior a 5 milímetros: os macroplásticos.

A imensa maioria dos detritos são oriundos de objetos descartáveis

Foi averiguado que 90% do lixo encontrado são de objetos de uso único, artigos que são abundantes hoje em dia no comércio, mas que todos os governos mundo a fora tentam proibir progressivamente, e se nana for feito, a tendência é que a quantidade de detritos se triplique até 2025.

Ainda mais chocante que isso, é uma imagem registrada há 20 anos, quase que dia após dia, 20 de maio de 1998, mostra o que se averiguou ser o objeto mais profundo já encontrado em todos os oceanos do mundo: um saco plástico parado há 11.000 metros de profundidade no chão oceânico da Fossa das marianas, no Pacífico, a mais profunda fossa abissal já encontrada.

Duas décadas nos separam desse registro, no entanto, o objeto ainda existe hoje certamente, mas degradado em uma forma mais nociva: o microplástico.

Ameaça para a fauna submarina

Mais uma prova das consequências desastrosas ao meio-ambiente que resultam da invasão dos plásticos no oceano é a presença em 17% das imagens de criaturas abissais ao lado desses detritos. Essa fauna das profundezas não é a única que está sendo ameaçada pela contaminação do plástico.

"Uma vez que as profundezas oceânicas constituem provavelmente o destino final dos detritos plásticos flutuantes, a ocorrência elevada e a forma como ele se espalha nas fossas, longe das áreas costeiras habitadas, indica que um grande número de pedaços de restos plásticos estão distribuídos ao longa da coluna de água e do alto mar", lamentam os pesquisadores em sua publicação.

Alguns frutos disso já podem ser vistos no dia a dia como por exemplo a morte trágica de uma baleia cachalote que ocorreu há pouco, encalhada numa praia no sul da Espanha depois de ter ingerido perto de 30 kg de plástico ou então o vídeo assustador gravado por um mergulhador ao longo das praias de Bali, mostrando centenas de peças de lixo boiando sobre a água. Iniciativas parecem, no entanto, ir em um sentido de melhorar essa situação mais que alarmante.

Colocando a política de lado, cabe também aos cidadãos, bem como prova o projeto lançado por uma start-up britânica de criar uma garrafa inteiramente biodegradável ou aquele lançado pelo Holandês Boyan Slat para limpar os oceanos. Depois de ter chegado ao fundo, parece que a humanidade tenta voltar atrás para finalmente tomar consciência da importância que deve ser dada aos ecossistemas marinhos.

Escrito por Marcos Silva
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