O mistério dos buracos gigantes em espiral de Nazca finalmente decifrado
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O mistério dos buracos gigantes em espiral de Nazca finalmente decifrado

Um novo estudo realizado por pesquisadores italianos revelam novos elementos sobre os misteriosos "puquios", os buracos em espiral cavados há mais de 1500 anos pela população de Nazca no deserto peruano.

Graças à análise via satélites de alta resolução, os pesquisadores italianos do Institute of Methodologies for Environmental Analysis conseguiram datar do século VI as extraordinárias construções em espiral edificadas pela antiga civilização Nazca, no Peru. A oportunidade de retornar sobre um mistério que perdura milhares de anos.

Essa cultura pré-Inca do sul do país se encontra por várias razões entre as mais enigmáticas da história. Sua existência, estimada entre 200 a.C. e 600 d.C., deixou muitos vestígios entre os quais os mais impressionantes são, sem dúvidas, os geoglifos.

Essas imensas figuras geométricas, desenhadas no solo, foram identificadas em fotografias aéreas muitos séculos mais tarde. Elas podem ser encontradas em vários lugares do deserto peruano, numa superfície que se estende por cerca de 80 km, perto da cidade de Nazca, entre a Cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico.

Um sistema hidráulico sofisticado

Ainda hoje, essa região é considerada como uma das mais áridas do mundo. Segundo os pesquisadores italianos, certamente foi para lidar com essas condições extremas que os Nazcas tiveram que inventar na sua época um meio eficaz de buscar a água existente nos aquíferos subterrâneos.

Esses estranhos buracos em forma de saca-rolhas não seriam, então, tumbas verticais, como alguns haviam sugerido. Até hoje, a hipótese mais provável é que se trata simplesmente de um acesso aos lençóis freáticos. Essas estruturas são, inclusive, chamadas de "puquios", um termo que significa "fonte de água" na língua quechua.

Os pesquisadores acreditam que graças a esse sistema, os Nazcas podiam ter acesso aos canais subterrâneos e retirar a água necessária para a irrigação de suas agriculturas e para suas necessidades cotidianas.

"Explorando uma fonte de água ininterrupta durante todo o ano, o sistema dos puquios contribuiu para a agricultura intensiva do vale em uma das regiões mais áridas do mundo", assim explicou Rosa Lasaponara, membro da equipe de pesquisa, à BBC.

Construções antigas de mais de 1500 anos

Junto com seus colegas, a pesquisadora conseguiu datar os puquios por volta dos anos 500 d.C., um período correspondente ao fim da civilização. Para alcançar tal desempenho, a equipe teve que utilizar meios inovadores, já que a datação do carbono 14 não era aplicável.

Com a análise de imagens de satélites de alta resolução, os pesquisadores conseguiram, finalmente, confirmar o período de construção e também a ligação entre esses poços e as colônias de Nazcas. Eles ainda conseguiram identificar um novo buraco até agora desconhecido e consolidar suas hipóteses quando aos costumes dessa civilização.

"Os Nazcas possuíam um conhecimento detalhado dessa região, que foi considerado durante milênios como um lugar sagrado. Era um lugar de cerimônias de uma grande importância ontem também foram desenvolvidos, ao longo dos séculos, colônias humanas", afirma Rosa Lasaponara.

Ela continua: "A luz e as montanhas, certamente, faziam parte da sacralidade do lugar, mas também a água, que em todas as civilizações simboliza a vida." Graças ao seu conhecimento aprofundado da geologia do local e à sua habilidade na maneira de construir, os Nazcas conseguiram construir uma rede hidráulica subterrânea que funciona, em parte, até hoje.

Escrito por Pedro Souza
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