Incêndio do Museu Nacional: as perdas irreparáveis e o que temos agora?
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Incêndio do Museu Nacional: as perdas irreparáveis e o que temos agora?

Escrito por De Freitas Agostinho
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A primeira coisa a se fazer depois dessa grande tragédia é tentar responder a pergunta: quais foram as perdas irreparáveis e o que temos agora?

Domingo à noite, as chamas devastaram o museu nacional do Rio de Janeiro. Entre as perdas mais importantes, está, em especial, o crânio humano de Luiza, de mais de 11 mil anos. Nessa noite, o Museu Nacional do Rio de Janeiro ardeu em chamas e suas inestimáveis coleções de história natural e antropológica também. O incêndio, que foi além das forças dos bombeiros, trouxe, sem dúvidas, perdas irreparáveis de acordo com um encarregado membro da administração do museu. “O prejuízo é grande demais para ser medido”, declarou o presidente, falando de um dia “trágico” para o país. Neymar, inclusive, deixou sua mensagem de luto sobre o que aconteceu “Que tristeza.... o que aconteceu com o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. É como se uma parte de mim, de cada um de nós, brasileiros, também tivesse sido queimada. Uma tragédia!!!”, disse ele.

Luiza morre novamente. O crânio está entre as maiores perdas do acervo. O fóssil da mulher de mais de 11 mil anos encontrado no território brasileiro não escapou do fogo. Entre as pérolas do patrimônio brasileiro que pegou fogo, está também o maior meteorito já descoberto em território brasileiro. Mas esta peça, no entanto, segue intacta, pois, por ser de ferro maciço, poderia aguentar até 10 mil graus, o que, infelizmente, se trata de uma exceção.

O portal de notícias internacional New York Times mostrou que o museu era uma das coisas mais belas no solo da América Latina. Ele comportava obras de arte e de cultura e civilização de populações indígenas já extintas, como também acessórios da jamais vista civilização Inca. Além disso, havia um painel de mais de 200 anos com as mais diversas espécies ornitológicas locais. Embora danificadas, ainda é possível encontrar entre as paredes escurecidas pelo fogo uma coleção impressionante de obras greco-romanas que datam de antes de Cristo, peças que foram trazidas ao território brasileiro com muito custo.

A instituição era também muito bem recheada de artigos da cultura egípcia. Urnas funerais, amuletos, vasos e estátuas e até um sarcófago do século XI antes de cristo, uma múmia de uma jovem garota de mais de 3500 anos e até um gato mumificado da mesma época. Sérgio Kugland de Azevedo, antigo diretor do museu, afirma frente às câmeras que certamente o acervo não poderá ser de forma alguma recuperado, pois, constava ali peças únicas no mundo. Além do próprio acervo, vale notar que o próprio lugar em si, onde eram abrigadas todas essas peças, tinha um valor histórico imensurável, uma vez que ele foi o palácio da família real portuguesa, a dinastia Bragança, que governou o Brasil enquanto colônia. Em 1818, pela vontade do rei de Portugal, o palácio foi transformado em museu. Esse ano, como se percebe pelos números, o museu comemoraria seu bicentenário.


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