Se você mente para o seu médico, você está longe de ser o único

Se você mente para o seu médico, você está longe de ser o único

De acordo com um estudo recente, a síndrome "Nariz de Pinóquio" está muito presente nos consultórios médicos. Na verdade, entre 60 e 80% dos pacientes mentiriam ao médico e não compartilham informações que poderiam ser úteis para a sua saúde. Maxisciences explica as razões dessas mentiras.

A confiança paciente-médico tem ainda um longo caminho a percorrer... É, em todo caso, o que parece mostrar o estudo publicado no último dia 30 de novembro no periódico Journal of the American medical Association (JAMA) Network Open (acesso livre em inglês). De acordo com ele, a esmagadora maioria das pessoas não diriam a verdade aos seus médicos. Vamos esmiuçar esse mau hábito para compreendê-lo melhor.

Retenção de informações deliberada

Afim de responder à seguinte questão: "quais informações médicas essenciais os pacientes não comunicam aos seus médicos, e por que não?", Angela Fagerlin da Universidade de Utah (Estados Unidos) e sua equipe aplicaram dois questionários nacionais online com dois tipos de abordagens.

Uma inclui 2 011 participantes na faixa etária de 36 anos e a outra inclui pacientes com em média 61 anos. Depois de ter respondido a 7 categorias de questões, notou-se que "a maior parte das pessoas interrogadas confessam ter deliberadamente praticado uma retenção de informação em pelo menos um dos assuntos". De 60 a 80% dos participantes.

Um terço dos participantes admitiram não contar aos seus médicos quando eles não estavam de acordo com ele. E um quarto deles indicou que eles não falam quando não entendem as recomendações. Em torno de um paciente em cinco omitem voluntariamente a informação de que eles não seguiram o tratamento indicado e 11% não contam que tomaram os medicamentos que foram prescritos a outra pessoa.

Medo de passar por um "mau paciente"

Quando perguntamos a uma criança porque ele mentiu, ele geralmente responde que é porque ele tinha medo de "levar bronca".

Enfim, grosso modo, é pelas mesmas razões que um paciente adulto não diz a verdade ao seu médico. Quando os participantes da pesquisa explicaram seus comportamentos, a maioria deles acabou explicando que "não queriam ser julgados nem receber uma lição de moral sobre o seu comportamento".

E mais da metade deles ficaram constrangidos de dizer a verdade. Angela Fagerlin confirma a explicação "de forma geral, a maioria das pessoas quer que seus médicos tenham um bom conceito sobre eles. Eles temem ser reduzidos a pessoas que não se comportam como deveriam".

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A única coisa é que não ser honesto com seu médico pode tornar a tarefa mais complicada para ele e trazer diagnósticos e recomendações terapêuticas menos adequadas. "Se os pacientes não compartilham certas informações especialmente sobre a sua alimentação ou sobre o cumprimento do tratamento, isso pode ter um impacto na sua saúde. Especialmente se eles sofrerem de uma doença crônica", alerta Andrea Gurmankin Levy, coautora do estudo e professora do Middlesex Community College, em Connecticut (Estados Unidos).

E se cada um fizesse um esforcinho? Os pacientes diriam mais a verdade aos seus médicos e estes mostrariam maior confiança. Assim, de acordo com uma pesquisa publicada no ano passado, um francês em cada dois teria parado o acompanhamento médico por causa do julgamento de um profissional.

• De Freitas Agostinho
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