Hikikomori: os japoneses que não conseguem sair de seus quartos

Hikikomori: os japoneses que não conseguem sair de seus quartos

Afastados de todo contato social e do mundo lá fora, milhares de jovens japoneses vivem sem sair de seus quartos.

A tecnologia e a solidão

Apesar do Japão ser um dos países mais avançados tecnologicamente do mundo, que a todo momento existe contato social através das redes, milhares de seus habitantes sofrem com a solidão e o afastamento com as outras pessoas. Esse é o caso dos chamados "hikikomori", jovens que passam muito tempo, até mesmo anos, sem sair do quarto e vivem em total solidão. Uma recente pesquisa indicou que cerca de 541 japoneses vivem dessa forma, mas que esse número pode ser muito mais alto devido à dificuldade que os jovens têm em conseguir pedir ajuda. Porém, essas pessoas não existem apenas no Japão ou na Ásia, e já está se tornando um problema mundial. E a grande culpada nisso tudo pode ser a própria tecnologia. Mesmo sem provas concretas sobre o tema, especialistas afirmam que esse é um problema real e deixam o alerta.

Vivendo no limite

Mas por que então a maioria dos casos acontecem no Japão? Takahiro Kato, professor de psiquiatria da Universidade de Kyushu em Fukuoka e um grande pesquisador do assunto aponta que a cultura japonesa é bastante rígida. Segundo ele, em entrevista ao jornal BBC, "No Japão há um ditado muito famoso que diz: 'O prego que se destaca leva martelada'. E as rígidas normas sociais, as altas expectativas manifestadas pelos pais e a 'cultura da vergonha' fazem com que a sociedade japonesa seja terreno fértil para sentimentos de inadequação e o desejo de querer se esconder do mundo.", declarou.

Como a tecnologia pode influenciar no distúrbio

A tecnologia, que ao mesmo tempo conecta várias pessoas em tempo real, pode ser também uma das causas para o isolamento social. Alguns psiquiatras não acreditam que a tecnologia seja a principal causadora do distúrbio, mas sim que aumenta e agrava uma situação que já estava presente no indivíduo. O pesquisador TaeYoung Choi acredita que as redes podem sim aprofundar esse tipo de comportamento: "Algumas pessoas podem ficar mais isoladas usando a tecnologia, o que torna esse isolamento mais resistente e grave", disse ele. E ele também complementa, dizendo que cada vez mais a situação tende a ficar pior: "Pelo que vimos até agora, isso não é um problema tão grande (hoje). Mas acredito que vai ficar muito maior nos próximos anos nos casos de isolamento social de jovens com vício em internet. A tecnologia em si não pode estar 100% por trás do agravamento do hikikomori como um fenômeno mundial", diz ele, mas com o avanço tecnológico e as comodidades que ele traz faz com que principalmente os jovens fiquem muito mais tempo conectados do que realmente vivendo a vida fora das telinhas. "Se as interações online viram substitutas para as interações cara a cara, eu acho que a pesquisa que eu fiz e as que outras pessoas fizeram indicam que isso é problemático", finalizou ele.

Tanto para o bem tanto para o mal

Apesar das redes terem seu lado negativo, elas também possuem seu lado positivo. As interações, o acesso à informação e ao conhecimento, saber o que está acontecendo no mundo são pontos positivos no desenvolvimento dos jovens. O que os especialistas alertam é para o uso exacerbado das redes e também para ficarmos atentos aos sintomas que alguém pode estar apresentando que podem se enquadrar no distúrbio.

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Fonte: BBC Brasil

Imagem: Game Blog 

Andressa Zabeu
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