A cidade em que os moradores não passam de 1 metro de altura

A cidade em que os moradores não passam de 1 metro de altura

Um vilarejo no Irã é composto apenas por pessoas que medem cerca de 1 metro de altura.

A cidade comparada a Liliput, das Viagens de Gulliver

No livro "As Viagens de Gulliver", o escritor Jonathan Swift descreve, em sua primeira parte, a jornada do personagem Lemuel Gulliver após ser vítima de um naufrágio, e acaba descobrindo a ilha de Liliput, local povoado apenas por um povo que media até 15 centímetros de altura. Apesar de que a obra é claramente uma ficção, existe uma cidade no leste do Irã que é frequentemente comparado à famosa ilha de Liliput por um simples motivo: seus habitantes medem em média apenas 1 metro de altura.

Na verdade, hoje a cidade já conta com moradores um pouco mais altos. Há cerca de um século atrás, os habitantes da cidade de Makhunik estavam bastante abaixo da média de altura da época (mais ou menos 50 cm abaixo da média geral), e o principal motivo era nada menos que a desnutrição. Até os dias de hoje, acredita-se que o local seria uma "cidade de anões"; já que foram encontrados corpos e restos mortais com as estaturas bem abaixo da média. Um caso que ficou famoso foi o descobrimento de um corpo mumificado que media apenas 25 centímetros de altura, o que acabou fomentando a crença de que os habitantes realmente eram pequenos. Mais tarde, cientistas descobriram que tratava-se de um bebê prematuro, morto há mais ou menos 400 anos atrás. Porém, outras evidências provam que os habitantes de Makhunik eram realmente pequeninos.

O motivo: a desnutrição

Segundo as pesquisas, o principal motivo de os moradores apresentarem uma estatura baixa é o da desnutrição. Por causa do clima extremamente árido da região, havia uma dificuldade enorme na criação de animais, que não sobreviviam à seca. O clima também impediu que as plantações e colheitas fossem variadas, sendo resumidas apenas em grãos, cevada, nabo e a jujuba, uma fruta semelhante a uma tâmara. Dessa maneira, os moradores da aldeia estavam fadados então a viverem apenas de pratos vegetarianos bastante simples, como a iguaria denominada kashk-beneh, feito à base de soro de leite e uma espécie de pistache que crescia no local, e o pokhteek, feito de nabo e soro de leite.

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Esse quadro, no entanto, começou a sofrer uma mudança. A construção de estradas e o aparecimento dos automóveis e meios de transporte fizeram com que a dieta dos moradores do vilarejo ficasse um pouco mais rica, pois as variedades como arroz e frango eram trazidas das cidades vizinhas. Sendo assim, o cardápio passou a ter mais opções e, consequentemente, mais nutrientes; dessa forma, atualmente, os 700 habitantes da cidade já apresentam uma altura média semelhante ao resto do mundo.

Arquitetura diminuta

Além das múmias e restos mortais identificados na cidadezinha, existem também outras evidências que mostram que a estatura de seus habitantes era baixa. Observando a parte mais antiga da cidade, existem 200 casas feitas com argila e pedra; dessas, metade delas são particularmente baixas, cujos telhados e altura medem cerca de 1,5 metros ou até menos. Hoje, a cidade compreende também um museu em homenagem a esse pequeno povo e suas construções "liliputianas"

• Marcos Silva
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