Antártida: 40 anos de ruptura de calotas reveladas em menos de um minuto

Antártida: 40 anos de ruptura de calotas reveladas em menos de um minuto

Uma nova animação mostra em menos de um minuto, 40 anos de rupturas e derivas de calotas polares na Antártida. O vídeo possibilita constatar a que ponto o ritmo de degradação se intensificou nas duas últimas décadas.

Em um novo vídeo que se apoia fortemente em dados da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), os animadores científicos da Pixel Movers and Makers oferecem uma amostra detalhada da ruptura e da deriva dos icebergs na Antártida sobre os 40 últimos anos.

Em menos de um minuto, a curta animação permite constatar o aumento espetacular do número de fraturas que aconteceram nessas duas últimas décadas.

Ritmo que se intensifica

"Nós ficamos impacientes fazendo!" Exclamou Kevin Pluck e Marlo Garnsworthy da Pixel Movers and Makers em um tweet que apresenta seu vídeo. Nesses últimos quarenta anos, dados (coletados entre 1976 e 2017) compilados em algumas dezenas de segundos são mais eloquentes que um longo discurso.

A sequência possibilita contemplar o ritmo desenfreado com o qual as calotas vem se destacando ao longo dos últimos anos. O vídeo ressalta especialmente a desintegração da barreira de Larsen em 2002 e a viagem do iceberg B-15, o iceberg mais extenso já registrado (11.000 km²), que se destacou da barreira de gelo de Ross em 2000.

"Ao mesmo tempo que eu fiquei surpreso de ver, eu também esperava ver um aumento no fluxo de icebergs nesses últimos anos", ressalta Garnworthy. Nos 40 últimos anos de evolução, 40% da perda de gelo do continente antártico aconteceu entre 2012 e 2017.

Da Antártida aos oceanos

Entre os dados explorados para a realização desse vídeo, vemos alguns conjuntos na base de dados de acompanhamento de icebergs na Antártida gerado pela universidade de Brigham Young (BYU). Esta recupera medidas coletadas por seis satélites equipados de difusiômetros, encarregados de acompanhar objetos pela superfície da Terra.

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Os icebergs representados na animação são aqueles suficientemente grandes para serem detectados por tais aparelhos. Quando se destacam, os icebergs vão habitualmente no sentido inverso do continente rodando em volta da Antártida antes de pegar o "Caminho dos icebergs" até a corrente circumpolar antártica.

A partir daí, eles são abandonados à sua sorte no oceano e terminam derretendo e adicionando volume ao nível das águas. Compreender os mecanismos que levam essa perda massiva de gelo é crucial para evitar que inúmeras cidades costeiras não acabem debaixo d'água nos próximos dez anos.

• Marcos Silva
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