Herpes- zóster: entenda melhor essa doença de pele

Herpes- zóster: entenda melhor essa doença de pele

A Herpes-zóster é uma doença viral que atinge a pele. Ela afeta majoritariamente os adultos que tiveram varicela quando pequenos. Ambas as doenças são provocadas pelo mesmo vírus.

Introdução

Cerca de 100.000. Essa  é a média de pessoas que sofrem todos os anos da doença. Um montante que chega a 500.000 se considerarmos os Estados Unidos. Hoje, a Herpes-zóster faz parte das doenças de pele mais comuns. Segundo estimativas, cerca de 20% da população mundial sofrerá em um momento da vida desta dermatite. 

A Herpes-zóster é uma patologia ligada a um vírus chamado VZV ( vírus varicela-Herpes-zóster) pertencente à família herpesviridae. No entanto, esta doença é um pouco particular porque ela é provocada por uma reativação do vírus. Como o nome indica, o VZV é o agente responsável da varicela.

Mais de 90% dos adultos, portanto, já o contraíram. De toda forma, mesmo após a cura e o desaparecimento da varicela, o vírus não foi totalmente eliminado. Alguns vírus permanecem no organismo e ficam escondidos no nível dos gânglios nervosos. Assim, com a idade, doenças ou déficits do sistema imunitário, o vírus reativa-se nos gânglios. Isso cria uma reação inflamatória dos nervos até a pele, o que causa uma erupção cutânea característica parecida com a varicela. 

A Herpes-zóster pode manifestar-se em diferentes partes da pele mas pode também aparecer em outros lugares, como os olhos, sempre intermediado pelos nervos. Em geral, a doença aparece nos adultos com mais de 45 anos mas a incidência é ainda mais frequente em pessoas com mais de 70 anos. Ela é rara nas crianças.   

 

Herpes-zóster, o que é?

A Herpes-zóster acontece  devido a uma reativação do vírus VZV, responsável pela varicela. Ele existe em muitas formas e a mais frequente é na zona intercostal.Escondido nos gânglios nervosos, a VZV (vírus varicela-Herpes-zóster) reativa-se pelas fibras nervosas próximas aos gânglios onde ele encontrava-se. A Herpes-zóster vai, necessariamente, associar-se às mesmas fibras nervosas. Assim, na maioria dos casos, a ocorrência é em uma forma intercostal. 

Como o nome indica, essa forma de Herpes-zóster vai aparecer na região do tórax e das costas, em função do gânglio das raízes dorsais e do nervo intercostal. A erupção cutânea vai, assim, aparecer ao longo das costas, sempre de forma unilateral. Mas outros nervos podem ser afetados: as bolhas aparecerão nos braços, coxas, abdome, pescoço ou couro cabeludo. Diferente da varicela, a Herpes-zóster não se manifesta apenas por meio de erupções cutâneas. Ela provoca também dores que podem ser até invalidantes.  

 

O Herpes-zóster oftalmológico

A região atingida pela Herpes-zóster depende do gânglio nervoso infectado pelo vírus. Ainda que a Herpes-zóster seja cutânea, o vírus pode chegar aos olhos pelo nervo craniano. É o que chamamos de Herpes-zóster oftalmológica.

Responsável por cerca de 10% dos casos, a Herpes-zóster oftalmológica é uma das formas mais frequentes da doença. Mas ela é mais séria que a forma clássica. Desta forma, este tipo de Herpes-zóster é provocada por uma reativação do vírus VZV mas em um gânglio bem particular: o gânglio de Gasser. Aqui é o território do nervo trigêmeo e um de seus ramos, o nervo oftálmico. Quando o vírus se reativa, ele vai seguir os nervos e causar alterações no rosto, nas pálpebras e, nas formas mais graves, nos olhos.

Semelhante à cutânea, a Herpes-zóster vai se manifestar por uma erupção e dores mas pode ter outras consequências, mais sérias. As erupções acontecem na testa e em torno dos olhos. Esta  constitui uma das provas visíveis do Herpes-zóster oftálmico.  

 

Complicações no nível da retina

De fato, a doença pode causar lesões no nível da retina e da córnea que são menos fáceis de detectar. As principais complicações são queratites (inflamações da córnea), uveítes (inflamação da úvea) e lesões do nervo óptico que pode levar a uma baixa da acuidade visual, caso a doença torne-se mais grave. Ela também pode favorecer o aparecimento de um glaucoma ou opacificação da córnea. O Herpes-zóster oftálmico necessita de um tratamento importante e rápido destinado a destruir o vírus e acalmar as dores e inflamações.   

 

A Herpes-zóster do ouvido

Existe ainda uma outra forma de Herpes-zóster chamada Herpes-zóster do ouvido. Ela aparece quando o vírus infecta o gânglio geniculado, território do nervo facial. A doença manifesta-se então por uma dor na orelha, uma erupção no nível dos condutores externos que pode levar a uma perda na audição ou uma paralisia facial.   

 

Herpes-zoster: sintomas e diagnóstico

Como a varicela, a Herpes-zóster manifesta-se mais comumente por meio de uma erupção cutânea mas dores também são comuns, já que ela acontece no nível nervoso. Os primeiros sintomas da Herpes-zóster duram muitos dias. A doença começa com uma febre moderada e, em certos casos, uma sensação de queimação na pele correspondente ao nervo atingido. Entretanto, os sintomas podem variar de um indivíduo a outro e pode ser discreta. Depois de alguns dias, uma vermelhidão pode aparecer na pele na zona atingida. Após, surge a erupção cutânea. Essa erupção aparece como pequenas manchas vermelhas com pequenas bolhas, muito parecidas com as observadas na varicela. Essas vesículas podem aparecer em vários lugares e estendem-se de acordo com o indivíduo. Em alguns, as erupções podem passar despercebidas mas elas são uma prova sólida do diagnóstico da Herpes-zóster.Estas vesículas podem ser a origem de coceiras mas não costumam durar muito. 

Como na varicela, as bolinhas vêm em surtos e vão secar e desaparecer em alguns dias e reaparecer em mais alguns dias. No geral, são ciclos de dois ou três dias divididos em duas ou três semanas. De toda forma, as vesículas podem evoluir de maneiras diferentes: elas podem secar e formar casquinhas que caem depois de alguns dias, ou elas podem murchar e formar películas grossas que também vão cair deixando marcas.    

 

Dores de intensidade e duração variáveis

Além da erupção cutânea, a Herpes-zóster pode também gerar dores agudas que podem ser mais fortes na região do nervo atingido. De duração e intensidades variadas em função dos doentes, elas podem vir em forma descargas elétricas acompanhadas de bolhas, palpitações e coceiras. Elas são, muitas vezes, a única manifestação da Herpes-zóster, já que a erupção cutânea pode ser imperceptível. As dores podem persistir por muitas semanas, o tempo que dura a doença. 

Nos casos mais severos da Herpes-zóster (Herpes-zóster oftálmico ou do ouvido), outros sintomas na visão ou audição podem manifestar-se. O diagnóstico da doença normalmente acontece pela erupção cutânea. Neste caso, ainda que ela seja muito discreta ou inexistente, são as dores que podem levar a uma suspeita da Herpes-zóster. Um exame pode ser feito para confirmar a presença do vírus.  

 

As possíveis complicações da Herpes-zóster

Em sua forma clássica, a doença cura-se facilmente mas, de vez em quando, pode causar complicações como  uma infecção local no nível da erupção e de uma necrose da pele (mais rara). As vesículas podem também deixar cicatrizes visíveis mais claras ou escuras.Além disso, nas pessoas mais velhas, as dores podem seguir depois da doença ser curada. O que chamamos de dores pós-herpéticas podem tornar-se crônicas e até invalidantes para as pessoas que sofrem. No caso do Herpes-zóster oftálmico, a doença pode conduzir, se não for tratada a tempo, a uma queda na acuidade visual e até cegueira. Por fim, em sujeitos imunodeprimidos, há um risco que a infecção torne-se generalizada e atinja outros órgãos. 

Herpes-zoster: tratamento e conselhos

Em muitos casos, a Herpes-zóster não necessita de tratamentos particulares. As formas oftálmicas e do ouvidos, ao contrário, demandam tratamento rápido. Como na varicela, a Herpes-zóster não obriga a um tratamento. Na verdade, na sua forma clássica e em pessoas com boa saúde, o organismo combaterá, ele mesmo, o vírus. As crianças e os indivíduos com mais de 50 anos, que não apresentam nenhum déficit imunitário, também não necessitam de tratamento antiviral e o tratamento consiste essencialmente em combater os sintomas da doença. No caso das dores, o médico pode prescrever analgésicos como o paracetamol para diminuir a intensidade. Se elas forem muito fortes, outros medicamentos mais fortes também podem ser utilizados. Contra a erupção cutânea, não existe tratamento real. Entretanto, é necessário um cuidado particular para evitar as infecções. 

As pessoas que sofrem de Herpes-zóster devem manter a pele limpa e seca. O banho deve ser quente e com sabão não agressivo. É possível aplicar um pouco de antisséptico nas vesículas mas a pele deve estar seca e a aplicação deve ser feita com delicadeza. Deve se evitar de coçar as vesículas e sobretudo perfurá-las, mesmo se elas contiverem um líquido. Reduzir a fricção optando por roupas mais leves e amplas é igualmente uma boa ideia. Para aliviar a sensação de coceira, aplique compressas úmidas e frescas. Mas evite curativos oclusivos que podem manter úmida a Herpes-zóster atingida e, assim, causar infecções.   

 

Um antiviral para as pessoas mais velhas ou imunodeficientes

As pessoas com mais de 50 anos ou que apresentam um déficit imunitário, devem tomar remédios para evitar complicações. O mesmo vale para pacientes que sofrem de Herpes-zóster oftálmico ou do ouvido. O tratamento em questão é composto de um antiviral que pode pode ser o aciclovir ou valaciclovir. Estas moléculas vão atacar o vírus e permite eliminá-lo mais rapidamente mas elas são mais eficazes se forem administradas nos três primeiros dias (72 horas) depois do aparecimento das lesões. Prescrevê-los a tempo, elas aceleram a cicatrização e sobretudo diminuem a intensidade das dores. Deve-se consultar um médico assim que possível. Os analgésicos normalmente são associados aos antivirais para tratar os sintomas.

   

Controlar as complicações em caso de Herpes-zóster oftálmico

Em caso do Herpes-zóster oftálmico ou do ouvido, o tratamento vai depender da gravidade da doença e pode exigir tratamentos suplementares. Mas os corticóides são geralmente contra-indicados pois podem piorar a doença. Essas duas formas da Herpes-zóster exigem uma vigilância particular devido às complicações que podem ocorrer ( cegueira, por exemplo). Assim, uma consulta com um especialista é necessária para o Herpes-zóster oftálmico.   

 

Herpes-zóster e o contágio: a Herpes-zóster é contagiosa?

Como as vesículas contêm o vírus ZVZ, a Herpes-zóster é contagiosa e pode ser transmitida a uma outra pessoa sob a condição que ela já tenha contraído varicela.Como a varicela, a Herpes-zóster é contagiosa e pode ser transmitida a uma outra pessoa se ela entrar em contato com as vesículas ou cicatrizes aparentes em um doente. Estas últimas contêm o vírus (VZV) que pode facilmente ser transmitido. No entanto, nem todo mundo pode ser contaminado. Apenas as pessoas que já contraíram a varicela são suscetíveis a serem infectadas, as demais já possuem defesa contra o VZV. 

Apesar disso, é importante saber que as pessoas infectadas pela primeira vez não desenvolvem uma Herpes-zóster, mas uma varicela, a Herpes-zóster corresponde a uma reativação do vírus depois de uma primeira infecção. Na dúvida, toda pessoa que teve a varicela quando criança (particularmente as mulheres grávidas e os indivíduos imuno-deprimidas) pode sofrer a Herpes-zóster. O mesmo para as crianças jovens.  

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Não há vacina

Sobre a prevenção, não há, infelizmente, um meio eficaz de evitar a Herpes-zóster, se ela nunca entrou em contato com o vírus ou contraiu varicela. Uma vacina foi recentemente autorizada nos Estados Unidos mas não está disponível em outros países. Uma outra vacina está sendo desenvolvida e permite reduzir em 50% o risco de desenvolver uma Herpes-zóster e em 65% a aparição de dores pós- herpéticas. A vacina contra a varicela não demonstra eficácia para prevenir a Herpes-zóster. 

De Freitas Agostinho
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