Gripe: h1n1, sintomas e tratamento. Como diferenciá-la do resfriado?
Gripe: h1n1, sintomas e tratamento. Como diferenciá-la do resfriado?

Gripe: h1n1, sintomas e tratamento. Como diferenciá-la do resfriado?

Em seu último relatório, a rede dos Grupos Regionais de Observação da Gripe (GROG), entidade que monitora a chegada e a circulação do vírus influenza na França, anunciou que a prevalência da doença sofreu um pequeno aumento no país. É o momento de discutir a gripe, que sempre ressurge no inverno, mas sob formas ligeiramente diferentes.

De acordo com a rede dos Grupos Regionais de Observação da Gripe, a frequência da doença estaria aumentando, conquistando a classificação de esporádica. Embora a gripe seja associada ao resfriado, ela é bem mais séria do que uma simples rinofaringite. Ela pode até mesmo causar a morte em pessoas frágeis como crianças pequenas ou idosos.

Portanto, é importante saber reconhecer a doença, tratá-la com atenção e preveni-la. Por isso, o Gentside decidiu abordar a gripe, seus sintomas e suas formas de tratamento. As questões em pauta:

- Epidemia de gripe

- O vírus da gripe

- Período de incubação da gripe

- Sintomas da gripe

- A gripe em bebês e crianças

- Como tratar a gripe?

- Contágio da gripe

- Qual é a vacina contra a doença?

- Receita contra a gripe: o grog

 1. Epidemia de gripe

A cada ano, a gripe contamina milhares de pessoas durante a epidemia outono-invernal. No entanto, a atividade da doença varia de um ano a outro.

Definição: o que é a gripe?

Também chamada de influenza, a gripe é uma doença infecciosa que ataca o sistema respiratório e depois se alastra para o corpo inteiro. Contagiosa e muito frequente, ela é causada por três vírus pertencentes à mesma família. No entanto, ela não apresenta a mesma atividade ao longo do ano e se manifesta, sobretudo, durante o outono e o inverno. Por esse motivo fala-se em “gripe sazonal”.

Hoje, essa característica sazonal ainda é mal compreendida. Não se sabe ao certo porque o vírus da gripe é mais presente nessa época, mesmo que diversos fatores, particularmente as condições ambientais, tenham sido evocados. Os pesquisadores supõem que o ar seco e frio permita que o micro-organismo permaneça estável e infeccioso por mais tempo. Entretanto, a cada ano, a epidemia começa em um momento diferente.

A epidemia da gripe

A duração da epidemia e o número de pessoas acometidas variam bastante: em média, ela dura nove semanas e afeta pouco mais de 2,4 milhões de pessoas.

A gripe atinge igualmente homens e mulheres e pode surgir em qualquer idade: tanto em bebês quanto em pessoas idosas, grupo para o qual ela pode se mostrar bem mais séria. A média de idade é de 20 anos. Além disso, existem fatores de risco, especialmente doenças crônicas, que podem favorecer a contaminação.

2. Vírus da gripe: quais são as diferentes formas?

Apesar de falarmos coloquialmente em vírus da gripe, a doença não é causada por apenas um micro-organismo. Existem, na realidade, três que pertencem à mesma família.

Gripe: três tipos de vírus

A gripe é uma doença viral especial, já que não é causada por apenas um vírus, mas por três vírus que possuem RNAs distintos. Eles são chamados de A, B e C e pertencem à mesma família, a dos Orthomyxoviridae e ao mesmo gênero, o dos vírus Influenza. Eles também possuem a mesma estrutura, mas se diferenciam pelas moléculas presentes na superfície de seus envelopes (os antígenos).

Os três vírus não apresentam, entretanto, a mesma virulência. Os tipos A e B são responsáveis pelas epidemias anuais de gripe, mas apenas os vírus do tipo A provocam pandemias gripais. Já o tipo C dá origem a casos de gripe mais esporádicos e relativamente moderados. Além disso, enquanto os tipos A e C podem infectar mais de uma espécie (o homem e os pássaros), o tipo B infecta essencialmente os humanos.

Os vírus da gripe podem variar bastante

Além da existência desses três tipos distintos, o vírus da gripe apresenta outra particularidade: sua grande capacidade de evolução e mutação. Esses micro-organismos, especialmente os do tipo A, podem se transformar modificando as duas moléculas presentes em sua superfície. Também existe um grande número de combinações possíveis, que são demonstradas pela nomenclatura “HxNx”, por exemplo, H1N1 ou, no caso da gripe aviária, H5N1.

Essa variabilidade torna o vírus mais difícil de combater. A cada nova cepa que aparece, o organismo deve desenvolver uma resposta imunológica própria para aquele vírus. O mesmo princípio se aplica às vacinas, que visam apenas algumas cepas, as mais frequentes.

3. Período de incubação da gripe

A gripe é uma doença viral que aparece de forma repentina. O período de incubação é, portanto, relativamente curto, embora a infecção pelo vírus ocorra em várias etapas.

O vírus da gripe se propaga com muita facilidade de uma pessoa para outra, sobretudo através de gotículas de saliva. Ele possui afinidade pelas vias respiratórias e geralmente entra no organismo pelo nariz ou pela boca.

Uma vez no corpo, ele inicia rapidamente seu ciclo de replicação que conduz à produção de partículas virais, que vão em seguida se disseminar pelo aparelho respiratório. É neste momento que começam a aparecer os primeiros sintomas. O intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e a aparição dos primeiros sintomas é bem curto. 

O período de incubação é de 24 a 48 horas. Neste período, o doente já é contagioso e pode transmitir a doença às pessoas próximas. Mas o tempo de incubação, assim como a intensidade dos primeiros sintomas, varia de um indivíduo para o outro, principalmente em função da idade e do estado de saúde. 

4. Sintomas da gripe: como identificar rapidamente para evitar complicações?

Após um período de incubação relativamente curto, os sintomas da gripe surgem subitamente, especialmente uma febre alta. No entanto, ela não deve ser confundida com um simples resfriado, pois pode ter consequências bem mais sérias para algumas pessoas.

Sintomas: como reconhecer a gripe?

Os primeiros sintomas da gripe são o aparecimento repentino de calafrios, dores musculares e articulares, fadiga, dores de cabeça, dores de garganta ou ainda de espirros. Provocando frequentemente um mal-estar geral, a doença se manifesta também através de febre alta, superior a 38,5ºC.

Esses transtornos respiratórios podem ainda ser acompanhados de tosse seca, coriza e nariz entupido, assim como por perda de apetite. Os sintomas duram de 24 horas a pouco mais de uma semana, mas alguns desaparecem antes de outros. A febre dura menos do que a tosse e a fadiga, que podem persistir por até duas semanas, ou mais.

Além disso, não é raro observar um “V” gripal na curva de temperatura da pessoa doente: após o período de incubação, há uma febre alta, que depois diminui antes de aumentar novamente.

Vírus da gripe: um risco de complicações

Em todos os casos, é aconselhável consultar um médico desde a aparição dos primeiros sintomas da gripe para confirmar o diagnóstico. A síndrome gripal pode também ser causada por outros vírus e até mesmo ser o primeiro sinal de alguma outra doença. Por isso, é importante ter certeza da origem dos sintomas. Assim que o diagnóstico é confirmado, o médico pode avaliar a intensidade dos sintomas e os riscos de complicações de acordo com o perfil do paciente.

Apesar de, na maioria dos casos, a gripe se curar em alguns dias, ela pode provocar quadros mais severos em pessoas do grupo de risco, que compreende sobretudo recém-nascidos e idosos, mas inclui também pessoas fragilizadas por doenças crônicas, por exemplo.

Nestes indivíduos, pode haver complicações como otite aguda, bronquitepneumonia secundária ou mesmo uma síndrome respiratória aguda grave (SARS, do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome). Em casos raros, pode ser necessária uma hospitalização para tratar esta última.

 5. A gripe no recém-nascido e na criança

Como foi explicado anteriormente, os bebês e as crianças fazem parte do grupo de risco de indivíduos para os quais gripe pode se tornar séria. Por isso, é preciso ter muita atenção.

Contaminação: crianças apresentam mais riscos

As crianças, especialmente as que estão em idade escolar, representam uma boa parte dos mais de dois milhões de pessoas afetadas pela gripe a cada ano. Escolas e creches são locais muito propícios à propagação do vírus e, por isso, os jovens têm mais chance de contrair a doença do que os adultos. No entanto, a gripe nem sempre é fácil de detectar nas crianças.

Os sintomas são similares aos manifestados por adultos, ou seja, febre alta, dores no corpo, fadiga, dores de cabeça e dores musculares. Mas os sintomas são mais sutis, sobretudo nos recém-nascidos. Antes de um ano, a infecção pela gripe é até mesmo assintomática ou bem discreta em 45% dos casos. A temperatura é levemente elevada ou normal.

Nas crianças entre um e quatro anos, os sintomas são mais graves, mas outros sinais podem induzir a erro e não serem imediatamente atribuídos à gripe. É o caso da sonolência e dos problemas digestivos (dores abdominais, náuseas, vômitos ou diarreia), que aparecem em 40% das crianças.

Consultar um médico logo que aparecerem os primeiros sintomas

Após os quatro anos, a síndrome gripal é igual à dos adultos, com o surgimento repentino de febre acima de 38,5ºC, frequentemente acompanhada de nariz escorrendo. Crianças saudáveis normalmente se curam em mais ou menos uma semana.

Entretanto, quanto mais jovem é a criança, mais vulnerável à doença ela é. Por isso, é necessário consultar um médico assim que surgirem os primeiros sintomas para que ele faça o diagnóstico, avalie o risco de complicações e estabeleça o tratamento a ser adotado.

A complicação mais frequente é a otite média, mas a gripe também pode piorar a asma nas crianças que possuem a doença. Além disso, em casos raros, há risco de pneumonia e bronquite. Por isso, é necessário acompanhar de perto a evolução da doença.

6. Como tratar a gripe

Na maioria dos casos, as pessoas gripadas se curam espontaneamente. Os tratamentos possíveis são focados na diminuição da intensidade dos sintomas.

Tratamento: como curar a gripe?

Apesar do vírus da gripe ser particularmente frequente e forte, o sistema imunológico das pessoas saudáveis tem condições de combatê-lo. A maioria dos doentes se cura sozinho sem adotar um tratamento voltado para o vírus.

Na maioria dos casos, os tratamentos focam em atacar os sintomas da doença a fim de reduzir sua intensidade. Para isso, o médico pode prescrever remédios contra a febre, contra dores ou ainda contra a tosse. A aspirina, entretanto, é fortemente desaconselhada para os jovens, pois pode desencadear uma doença grave do sistema nervoso chamada Síndrome de Reye.

Antibióticos também não são indicados em nenhum caso de gripe, já que não se trata de uma doença bacteriana e sim viral. Eles só devem ser prescritos pelo médico em caso de infecção bacteriana secundária.

Tratamento antiviral em alguns casos

Em pessoas de saúde frágil ou em alguns casos específicos, é possível administrar um tratamento antiviral que deve ser seguido desde o surgimento da gripe para que possa atacar de forma eficaz o vírus e reduzir a intensidade e duração dos sintomas.

Mas a eficácia desses medicamentos varia bastante de acordo com o tipo e a cepa do vírus responsável pela doença. Em qualquer caso, se os sintomas persistirem ou se acentuarem, não se deve hesitar em retornar ao médico.

Além disso, também é recomendável descansar o máximo possível e ingerir bastante líquido para evitar a desidratação. Ficar em casa, tanto para adultos quanto para crianças, permite que o organismo possa combater a doença, limita o contágio e os riscos de propagação da infecção.

7. Contágio da gripe

O vírus da gripe se propaga facilmente de um indivíduo a outro. Para limitar o contágio, recomenda-se que as pessoas que estiverem doentes tomem bastante cuidado.

Gripe: uma doença extremamente contagiosa

Como a maioria das doenças de inverno, a gripe é muito contagiosa, especialmente porque seu vírus éresistente e tem afinidade pelas vias respiratórias. Sendo assim, ela pode ser transmitida de várias formas.

A principal é o contato direto com as projeções respiratórias de uma pessoa gripada, ou seja, quando essa pessoa tosse, espirra ou cospe, ela libera no ar vírus que podem infectar outros indivíduos. Mas também é possível ficar doente após ter tido contato com objetos contaminados como roupas, jogos, maçanetas ou por meio de um aperto de mão.

Prevenção da gripe

O vírus é capaz de sobreviver de 24 a 48 horas em superfícies não porosas, de 8 a 12 horas em tecidos ou papéis e cerca de 5 minutos nas mãos. Por isso, é importante lavar as mãos regularmente com água e sabonete.

As pessoas gripadas também devem cobrir a boca ao tossir ou espirrar e evitar o contato com pessoas frágeis (bebês, idosos e mulheres grávidas). Arejar os cômodos da casa com frequência também evita que a atmosfera fique abafada.

O período de contágio pode começar dois dias antes da aparição dos primeiros sintomas e se estender por até 10 dias. No caso das crianças gripadas, esse tempo pode ser ainda maior. 

8. Vacina da gripe

Como a gripe é uma doença viral muito comum, é possível tomar uma vacina para evitar o contágio. A vacinação é recomendada às pessoas do grupo de risco, mas não é obrigatória.

A vacinação da gripe

Depois da higiene, a vacinação ainda é a melhor forma de prevenir a contaminação pelo vírus da gripe. A cada ano, uma nova vacina, que sofre alteração de um período de gripe a outro, é disponibilizada. Isso acontece porque as transformações frequentes dos vírus impõem uma atualização anual para que ela possa combater os principais subtipos.

Sendo assim, a composição é decidida em fevereiro de acordo com as três cepas de maior circulação. Na maioria das vezes, trata-se de duas cepas do vírus A e uma cepa do vírus B. Hoje, a vacina contra a gripe não é obrigatória, mas é fortemente recomendada para as pessoas mais vulneráveis: os maiores de 65 anos e todas as pessoas (incluindo crianças a partir de 6 meses e mulheres grávidas) portadoras de doenças crônicas.

A vacina também é recomendada para profissionais de saúde, que têm contato com pessoas do grupo de risco regularmente. Apesar de poder ser administrada a partir de 6 meses, os médicos avaliam que ela não é necessária para crianças e adultos saudáveis.

As pessoas mais sensíveis devem tomar a vacina a partir de outubro

Para uma prevenção ideal, a vacina deve ser tomada antes do período de gripe, ou seja, a partir de outubro ou assim que estiver disponível. Após a injeção, ela demora de 2 a 3 semanas para começar a fazer efeito e permanece no corpo de 6 a 12 meses, de acordo com a idade e o estado de saúde da pessoa.

No entanto, a vacina só oferece proteção contra as cepas selecionadas durante a sua elaboração. Como os subtipos circulantes mudam a cada inverno, a vacinação deve ser renovada todos os anos, especialmente no caso dos idosos.

9. Remédios caseiros e a gripe: um tratamento mais natural

Descansar é o melhor meio de tratar a gripe comum. No entanto, existem remédios naturais que podem ajudar a aliviar a doença e os sintomas, como, por exemplo, o chá ou xarope ou o grog.

Remédios contra a gripe

Uma vez que a gripe é diagnosticada, o principal conselho é permanecer em locais quentes, tranquilos e seguir o tratamento que o médico indicar. Essas medidas permitem aliviar os sintomas, especialmente a febre, as dores de cabeça e a tosse, e ajudar o organismo a combater o vírus. Quando a gripe não é muito forte, ainda é possível recorrer a remédios mais naturais, em particular o grog (receita caseira tradicionalmente utilizada na França).

Essa bebida tem a reputação de ser eficaz contra resfriados e especialmente contra dores de garganta. Fácil de preparar, ela deve ser consumida bem quente e de preferência à noite, já que contém álcool. Por esse mesmo motivo, ela não é recomendada a todos e deve ser bebida com moderação. Para prepará-la, é preciso de um copo ou uma vasilha de água, uma colher de sopa de rum, uma colher de sopa de mel, suco de meio limão e um pouco de canela.

Ferva a água em uma panela, adicione o rum, o mel, o suco de limão e a canela. Depois mexa e deixe cozinhar por alguns minutos para que a mistura se torne homogênea. Sirva em um copo ou em uma vasilha e beba enquanto estiver quente. A sensação de calor vai ter um efeito calmante enquanto que o mel e o açúcar do limão vão amenizar as irritações da garganta.

Esse remédio não deve, no entanto, substituir os tratamentos prescritos pelo médico ou impedir o retorno ao consultório se os sintomas persistirem. 

Escrito por Helena Barros
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