De acordo com um cientista, os buracos negros seriam portais para outras dimensões

De acordo com um cientista, os buracos negros seriam portais para outras dimensões

Em um artigo publicado no site The Conversation, um físico norte-americano expôs suas descobertas que chega muito perto de um conceito utópico até então reservado às obras de ficção científica: o hiperespaço. Método de transporte de velocidade superior à da luz, que finalmente pode ser um pouco menos irreal do que já pareceu.

Os autores de ficção científica sonhavam com isso... e não é que o hiperespaço pode se tornar realidade?! Ou quase: esse método utópico de transporte com o qual se presume poder viajar a uma velocidade superior à velocidade da luz não seria, de acordo com um cientista norte-americano, tão irreal assim quanto parece. Esse "Portal de entrada" para outras dimensões ou Universos pareceria, na verdade, possivelmente encontrável na existência dos buracos negros.

Em um artigo publicado no site The Conversation, Gaurav Khanna, professor de Física na Universidade de Massachusetts em Dartmouth, nos Estados Unidos, revela a gênese de sua teoria. "Meu colega Lior Burko e eu estaudamos a física dos buracos negros há mais de duas décadas. Em 2016, a doutoranda [do meu laboratório] Caroline Mallary, inspirada no filme de Christopher Nolan "Interestelar", se encarregou de verificar se [a personagem principal] poderia sobreviver à sua queda na mais profunda Gargantua - um buraco negro fictício, supermassivo, em rotação rápida, de por volta de 100 milhões de vezes a massa do sol", descreve o cientista.

Efeitos simulados pelo computador

A estudante de doutorado construiu assim um modelo digital que possibilita a reprodução da maior parte dos efeitos físicos que poderiam ocorrer a um corpo - uma espaçonave, por exemplo - se ela viesse a cair no centro de um buraco negro em rotação.

"O que ela descobriu é que sejam quais forem as circunstâncias, um objeto que cai num buraco negro em rotação não será afetado de form alguma durante a sua passagem ao longo da qual chamamos de singularidade do seu horizonte interno", continua o pesquisador.

De acordo com ele, adentrar um buraco negro em rotação traria apenas efeitos insignificantes, ou seja, totalmente desprezíveis. "Na verdade, há a possibilidade de não acontecer nada visivelmente sobre o objeto que cai", estima Gaurav Khanna, que não hesita em dizer que "isso aumenta a exequibilidade de utilizar grandes buracos negros em rotação como portais para viagem ao hiperespaço". Um sonho de autores de ficções científicas que parecem assim ao alcance das mãos. É, mais ou menos...

Limites ainda inalcançáveis

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"Há algumas hipóteses simplificadoras de relevância no trabalho de Caroline Mallary [...]. Consequentemente, uma sequência lógica ao seu trabalho seria de realizar um estudo comparável no contexto de um buraco negro mais realista [do ponto de vista astrofísico]", afirma Gaurav Khanna. Um projeto ora infelizmente bem irreal, mesmo do ponto de vista do pesquisador.

"Tudo isso desconsidera que nós não tenhamos ainda a capacidade de proceder a verdadeiras experiências no interior ou mesmo perto de buracos negros, os cientistas, então, recorrem a teorias e modelos a fim de desenvolver uma interpretação, efetuando previsões e novas descobertas", conclui Gaurav Khanna. Boas páginas de ficção científica que são a realidade astrofísica, há ainda um passo... do qual parece estarmos longe de alcançar.

De Freitas Agostinho
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