Desmatamento: o Brasil perdeu o equivalente a um milhão de campos de futebol em um ano

Desmatamento: o Brasil perdeu o equivalente a um milhão de campos de futebol em um ano

Um estudo preliminar dirigido com dados produzidos por satélites revelou que o Brasil perdeu de agosto de 2017 a julho de 2018 a superfície de 7.900 km² de florestas. Ou seja, o equivalente a perto de um milhão de campos de futebol, ressaltou a ONG Greenpeace. Uma situação que pode infelizmente não ser reversível.

O desmatamento continua fazendo com que os "pulmões verdes" do planeta desapareçam gradualmente. Em junho passado, um relatório da Forest global Watch revelou que mais de 150.000 quilômetros quadrados de cobertura florestal haviam sido desmatados a cada minuto em 2017. O equivalente a 40 campos de futebol. E esse resultado sem dúvida não será reduzido esse ano. Isso é sugerido pelo recente anúncio feito pelo governo brasileiro.

Entre julho 2017 e agosto 2018, o país perdeu não menos de 7.900 quilômetros quadrados de florestas. O equivalente, de acordo com a ONG Greenpeace, ao desaparecimento de 1.185.000.000 de árvores em uma superfície de 987.500 campos de futebol. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, isso corresponderia a um aumento de 13,7% no desmatamento e a pior taxa observada na última década.

Essas estimativas foram obtidas por meio de vigilância por satélite conduzida pelo Instituto Nacional de pesquisas espaciais (INPE). "Isso aí é um monte de floresta destruída", diz Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil. A situação é ainda mais preocupante, pois a tendência parece estar longe de ser revertida.

Um novo Presidente ameaça a Amazônia

Entre 2004 e 2012, o Brasil registrou um declínio gradual de desmatamento por meio de uma série de ações do governo, do setor privado e da sociedade em geral, que, entre outras coisas, possibilitaram a criação de áreas protegidas. Desde então, os sucessivos governos fizeram várias concessões que impulsionaram o desaparecimento da floresta amazônica retomando uma alta nessa taxa.

"Precisamos aumentar a mobilização em todos os níveis do governo, da sociedade e do setor produtivo para combater a atividade ambiental ilícita", disse o ministro do meio ambiente, Edson Duarte. Infelizmente, recentemente uma nova figura negra entrou em jogo, a do novo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Entre suas promessas eleitorais, o candidato à extrema direita mostrou sua intenção de enfrentar tudo o que ajudou a combater o desmatamento. "Ele disse que colocaria um fim às áreas protegidas, às terras indígenas, que reduziria as inspeções e as sanções contra os crimes ambientais. Qualquer coisa que pudesse ter colaborado para a redução do desmatamento anteriormente. Se ele acabar com tudo isso, ele pode desencadear uma situação inimaginável", diz Marcio Astrini à AFP.

Más notícias para o clima

As preocupações vão muito além da simples questão das florestas. "Não são apenas as árvores que caem, porque o desmatamento na Amazônia é sempre acompanhado de violência e de conflitos sociais", observa em uma afirmação de Romulo Batista do Greenpeace Brasil. O país está realmente no topo do número de defensores ambientais mortos em 2017, considerado o ano mais mortal.

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Esta triste observação também é uma má notícia para o planeta e para a luta contra as alterações climáticas. A perda de florestas é, de fato, uma das mais importantes causas para o aumento de emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo. O Observatório do clima, uma rede sem fins lucrativos no Brasil, estimou, assim, que o desmatamento foi responsável por 46% das emissões do país em 2017.

O fenômeno também afeta diretamente os solos e a biodiversidade. Alguns temem que a floresta amazônica atinja um "caminho sem volta". Além do qual sua sobrevivência seria comprometida. "Chegará um momento em que o acúmulo deste desmatamento vai fazer com que a floresta deixe de ser uma floresta". Os cientistas estimam que isto é entre 20 e 30%. Estamos muito próximos aos 20% , conclui Marcio Astrini.

• De Freitas Agostinho
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