Nova espécie de cobra é descoberta... dentro de outra cobra

Nova espécie de cobra é descoberta... dentro de outra cobra

Os pesquisadores descobriram uma nova espécie de cobra no mais improvável dos lugares. Ela estava dentro do estômago de outra cobra, conservada em formol há mais de 40 anos.

Todo ano, cerca de 18.000 novas espécies são nomeadas e 20.000 são extintas. Pântanos, selvas, deserto ou esgotos, parece que todos os meios são propícios à descoberta... Mas algumas têm histórias mais atípicas que outras. Assim foi com uma nova espécie recentemente descoberta dentro de outra cobra... esta que estava conservada em um bocal há mais de 40 anos!

Uma dentro da outra dentro da outra

Quando os pesquisadores da universidade do Texas finalmente se debruçaram sobre uma espécime de cobra coral da América Central (Mucrurus nigrocinctus) integrada às coleções há 40 anos, uma surpresa os esperava dentro do seu estômago: restos de outra serpente, desconhecida atualmente. Eles a descrevem num artigo intitulado "Caudals and Calyces: The Curious Case of a Consumed Chiapan Colubroid", publicado no Journal of Herpetology.

Os pesquisadores batizaram a descoberta por Cenaspis aenigma (cena = jantar, aspis = cobra, aenigma = enigma): "o misterioso jantar de cobra". Este último provém do estado de Chiapas no México, onde ela foi coletada (dentro do seu predador) em 1976. Quando os pesquisadores receberam a cobra coral e descobriram o que havia ali, eles então optaram por conservar num bocal para futuros estudos. Até hoje.

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O enigma do misterioso jantar de cobra

Esse novo espécime se distingue pelas placas juntas debaixo da sua cauda (placas subcaudais), seu órgãos genitais e a forma do seu crânio. Ela mede por volta de 26 centímetros e sua aparência indica que se trata provavelmente de uma espécie de cobra que viveria sobretudo na terra.

Apesar de a cor das suas costas não serem especialmente interessante, sua barriga mostra impressionantes padrões triangulares repetidos a cada seguimento. Padrão este que não aparece em outras espécies escavadoras e que não parecem apresentar vantagens evolutivas em relação à primeira. Sua mandíbula parece ser igualmente adaptada às presas dotadas de exoesqueleto, outro traço atípico nas espécies escavadoras. C. aenigma tem ainda enfim muitos segredos a serem desvendados pelos pesquisadores.

• De Freitas Agostinho
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