Naturalista tenta ser engolido vivo por uma anaconda

Naturalista tenta ser engolido vivo por uma anaconda

Para tentar chamar a atenção sobre a destruição da floresta amazônica, o naturalista Paul Rosolie gravou um documentário chocante que foi levado ao ar no Discovery Channel. Com que objetivo? Impressionar as pessoas sendo engolido vivo por uma anaconda.

Eaten alive, literalmente "comido vivo". A Discovery Channel dobrou os esforços para promover seu novo documentário impressionante. Entrevistas, clipes de suspense, tudo foi pensado para que o programa desse o que falar e funcionou, até que criou uma verdadeira polêmica. O que se torna lógico quando vemos o "script": filmar um homem tentando ser comido vivo por uma anaconda.

O naturalista e herpetólogo Paul Rosolie teve a ideia, depois de ser perguntado o que ele poderia fazer para chamar a atenção sobre a destruição da floresta amazônica. "Todo mundo na Terra sabe que as florestas tropicais estão desaparecendo e a maioria pode dizem a que ponto que elas são importantes, entretanto, não há tantas pessoas que prestem atenção nisso e que percebam até que ponto isso é um problema", explicou Rosolie, citada pelo Telegraph.

Para chamar a atenção, ele então pensou em fazem alguma coisa que atrairia os olhares. Uma reflexão que levantou um desafio totalmente absurdo: deixar-se atacar por uma anaconda, uma das maiores cobras do mundo.

Ideia muito criticada

Com o objetivo de alto mérito, o especialista rapidamente atraiu a atenção de muitas pessoas e associações de proteção aos animais, entre elas a PETA. Essa última indicou que se a descrição do documentário era leal ao que seria feito, a cobra iria ser "atormentada em prol de percentuais de audiência" e um jogo publicitário. "As anacondas passam dias sem comer e concentram toda sua energia para fazer isso de forma seletiva".

"Forçar a cobra a utilizar sua energia comendo esse idiota e potencialmente regurgitando depois, deixaria o pobre animal sem forças e o provaria de energia da qual ela precisa", denunciou à PETA em um comunicado. Finalmente, ele precisou então esperar até dia 7 de dezembro para ter o veredito com o lançamento no Discovery Channel do famoso documentário.

Como muitos esperavam, o programa não manteve suas promessas que tinham sugerido semanas atrás: Rosolie não foi verdadeiramente engolido vivo por uma anaconda. O bastante para frustrar todos aqueles que aguardavam para ver as entranhas da cobra gigante. Poucos minutos depois do programa, o veredito não demorou para sair. "Comido vivo?". Na verdade, "uma cobra brevemente passou perto de mim", tweetou um telespectador.

"Comido vivo" ou não

Efetivamente, Paulo Rosolie não foi até o final de sua experiência e foi parado no momento em que a anaconda começou a cercá-lo. Para poder resistir à força da cobra constritora e não ser sufocado, o naturalista e sua equipe fizeram um tipo de armadura fabricada em fibra de carbono e equipada com um sistema respiratório. Foi com essa combinação que o homem se aproximou da anaconda, uma fêmea de 6 metros encontrada na floresta.

"Quando eu me aproximei da cobra, ela não tentou me comer de primeira", contou o herpetólogo. "Ela tentou escapar. E quando eu a provoquei um pouco, ela agiu mais como uma predadora, aí ela virou e se defendeu". Mas, em seguida, as coisas não aconteceram como ele tinha imaginado nem como ele poderia pensar. Ficou claro que homem subestimou a força do réptil.

A cobra começou a se enrolar em volta de Rosolie e apertá-lo. "Eu senti a sua mandíbula no meu capacete e podia também escutar um certo gargolejo e um sibilo", explicar. Além de tudo isso, ele pode sentir a força da cobra se intensificando em seu braço quando ele estava completamente imobilizado. "Toda sua força foi concentrada no meu braço, eu comecei a sentir que a minha mão não estava sendo mais irrigada, que os ossos começavam a se espremer e que iam quebrar".

Em pânico, depois de uma hora frente ao réptil, o naturalista de 30 anos então chamou ajuda. "Gente, vocês tem que intervir... Eu preciso de ajuda!", escutamos ele dizendo no documentário. A equipe rapidamente interveio para pegar a cobra e soltar a sua forço em volta de Rosolie, derrotado na luta com a gigante.

Solta na natureza

Depois do programa, o naturalista insistiu no fato de que a equipe fez de tudo para não causar nenhum mal à cobra e que ele foi o único a estar em perigo nessa experiência. "Nós não forçamos a cobra a fazer o que quer que seja, nós não pedimos nada a ele para que fizesse nada que fosse fora do comum", garantiu, falando ao Telegraph.

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"As cobras regurgitam muito comumente quando elas comem alguma coisa e quando um predador passa por ali, elas têm geralmente que abandonar suas presas para poder escapar", explicou antes da transmissão. Na experiência realizada, a cobra teria saído ilesa e teria sido solta na natureza, depois de ser examinada por um veterinário. Rosolie não sofreu ferimentos graves. Todavia, ainda ficamos longe do "final feliz".

Por mais que o programa da Discovery Channel tenha sido associado a uma coleta de fundos para proteger a Amazônia, não sabemos bem se deu realmente certo passar a mensagem que o especialista esperava. Entre os desapontados e escandalizados pelo tratamento dado à cobra, o documentário não convenceu muita gente e a imagem do canal de televisão parece ter sido abalada.

Contudo, Rosolie não se arrepende da sua experiência tão fantástica quanto assustadora e se mantém apático às críticas. "O que você fez para proteger a floresta tropical e as espécies ameaçadas?", lançou, entrevistado pela Discovery News. "Situações desesperadas pedem medidas desesperadas", concluiu. De acordo com os Estados Unidos, o documentário deveria ser difundido em dezembro em vários paríses da Europa e do resto do mundo.

Marcos Silva
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