Dois bebês foram operados na coluna vertebral ainda no ventre de sua mãe

Dois bebês foram operados na coluna vertebral ainda no ventre de sua mãe

Pela primeira vez no Reino Unido, dois bebês foram operados na coluna enquanto ainda estavam no útero da mãe. Um feito médico que demonstra os benefícios das operações realizadas antes do nascimento.

Uma hora e meia para cada caso. Este foi o tempo que levou uma equipe médica para operar dois bebês com espinha bífida, ainda no útero. Esta malformação, de gravidade variável, afeta cerca de cinco em cada 10.000 nascimentos na França. A operação, extremamente delicada, é um feito médico que mostra os muitos benefícios das operações realizadas antes do nascimento.

Mais benefícios do que riscos

Várias semanas atrás, uma equipe de 30 médicos realizou maravilhas no University College Hospital, em Londres. Durante duas operações de uma hora e meia, os cirurgiões conseguiram intervir ainda no útero sobre a malformação dos dois bebês. A espinha bífida, essa protrusão das meninges - através de uma abertura localizada na parte inferior das costas da criança - pode variar, após o nascimento, desde uma fraqueza simples a uma grave deficiência física ou mental.

A operação não é sem risco, tanto para o bebê quanto para a mãe. No entanto, por mais delicada que seja a exposição do feto ao meio ambiente, e apesar do risco de infecção ou parto prematuro, parece valer a pena, segundo os pesquisadores. Ele efetivamente reduz o tempo durante o qual os tecidos revelados pela espinha bífida ficam expostos ao líquido amniótico e, portanto, limitam os danos.

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É claro que uma operação tão espetacular provoca um dilema ético: deve-se melhorar as chances de recuperação de uma criança, arriscando sua vida? Ao longo dos anos, um número crescente de estudos mostrou que os benefícios são muito maiores do que quando a intervenção ocorre após o nascimento. "Tivemos várias crianças que após a cirurgia fetal estavam andando, enquanto que, sem essa operação, as chances seriam bem menores", diz Anna David, coordenadora cirúrgica.

O Reino Unido se atualiza

Embora já tenha sido realizado em muitos países, os médicos do Reino Unido se mantiveram relutantes por muitos anos. A alternativa era, então, operar a criança após o nascimento, esperando que ela estivesse robusta o suficiente para ser submetida a um procedimento invasivo.

Mas essa restrição levou muitas famílias a viajarem para a Bélgica para que a criança fosse operada ainda no útero. Uma viagem difícil e cara para mulheres grávidas. Para muitos, esta primeira operação é um passo adiante: "É maravilhoso, as mulheres não terão mais que viajar para fora do Reino Unido", falou entusiasmada Anna David. "Elas poderão ter suas famílias ao seu lado. E é mais barato. Ou seja, só há benefícios".

• De Freitas Agostinho
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