Cientistas descobrem bactéria que consome metais tóxicos e os transforma em ouro

Cientistas descobrem bactéria que consome metais tóxicos e os transforma em ouro

Pesquisadores isolaram uma bactéria que era capaz de consumir metais tóxicos, isso já se sabia, no entanto, a surpresa foi quando o resultado do consumo surgiu e era ouro.

De acordo com estudos recentes, existe uma bactéria capaz de ingerir compostos tóxicos e transformá-los, em seguida, em minúsculas pepitas de ouro. Concentrações elevadas de metais pesados, como cobre, são tóxicas para a maioria dos seres vivos. Uma preocupação mundial no tocante à natureza, em especial, à qualidade de vida da fauna dos mares e rios próximos a jazidas de exploração e indústrias.

Apesar de metais pesados serem absolutamente nocivos, isso não se aplica à bactéria Cupriavidus metallidurans. Ao contrário da bactéria carnívora, que está associada ao clima úmido e água parada, ela se prolifera em solos ricos em metais pesados. Essas pequenas criaturas têm uma forma de extrair preciosos microelementos preciosos de compostos de metais pesados sem ter seu organismo afetado. Dada sua fascinante capacidade, a bactéria produz minúsculas pepitas de ouro como efeito secundário ao consumo dos metais malquistos.

A descoberta é mérito da equipe de pesquisadores da Universidade de Martin Luther de Halle-Wittenberg (MLU) e da Universidade técnica de Munich (TUM) na Alemanha, que entendeu o processo molecular desenvolvido no interior da bactéria. A bactéria transforma as partículas de ouro tóxicas em partículas de ouro inofensivas, de acordo com os pesquisadores.

Bactéria alquimista

Entre tantas as funções de seres vivos presentes na Terra, observa-se que são os microrganismos os especialistas da purificação e do consumo do que nenhum outro ser quer.

Já se conhece há alguns anos que micróbios têm a capacidade de purificar metais preciosos. Para ser mais exato, a bactéria “alquimista” foi descoberta em 2009, mas só agora que uma equipe internacional de pesquisadores descobriu como ela faz para produzir ouro a partir de compostos metálicos tóxicos.

Ambiente impróprio

A bactéria se desenvolve e vive bem, de forma ótima, em solos que contêm hidrogênio e uma série de metais pesados tóxicos. Isso quer dizer que a concorrência com outros organismos é facilitada, uma vez que estes morrem envenenados e aquela não, o que é absolutamente raro.

“Se um organismo escolhe sobreviver, ele tem que encontrar uma forma de se proteger dessas substâncias tóxicas”, explica o microbiologista Dietrich H. Nies, da Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg, principal autor do estudo.

Como a “mágica” funciona?

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A bactéria tem um sistema complexo de funcionamento, que resulta não apenas em ouro, mas também em cobre. Os compostos que contêm esses dois elementos podem facilmente entrar em suas células. Quando chegam lá, a interação entre elas passa a funcionar de certa forma que os íons de cobre e de ouro são levados a um local mais profundo de seu corpo, e acabam, sob influência de enzimas, sendo transportados para fora, dando origem às suas formas puras.

É assim que elas fazem para não serem envenenadas. A enzima que atua no cobre é a CupA e a do ouro é a CopA. São essas moléculas que fazem a “mágica” acontecer, convertendo os compostos de cobre e ouro em formas menos absorvíveis pela célula (mais puras), que são expulsas de seu organismo em seguida. 

De Freitas Agostinho
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