Brasileiros descobrem exoplaneta 13 vezes maior que Júpiter

Brasileiros descobrem exoplaneta 13 vezes maior que Júpiter

Grupo de astrônomos brasileiros encontrou um planeta maior que Júpiter que orbita entre duas estrelas.

Brasil em foco

Quem disse que as grandes pesquisas do universo estão centralizadas apenas nos Estados Unidos ou nos países da Europa? Recentemente, uma notícia encheu de orgulho os corações dos brasileiros que acompanham as ciências e o estudo dos planetas e estrelas.

Apoiados em estudos e teorias já existentes anteriormente, um grupo de astrônomos brasileiros fez uma descoberta incrível: eles localizaram um exoplaneta colossal, maior até mesmo que Júpiter, o maior planeta do sistema solar. Um exoplaneta é um planeta que está fora da nossa galáxia, a Via Láctea; um fator muito atípico deixou toda a descoberta ainda mais animadora. O planeta localizado órbita entre duas estrelas (algo parecido como 2 sóis); esse fenômeno leva o nome de "sistema binário", ou seja, um planeta orbitando ao redor de duas estrelas mães.

O estudo foi conduzido por pós-doutorandos da Universidade de São Paulo (USP) e foi publicado pelo "The Astronomical Journal", da Sociedade Americana de Astronomia. Segundo os pesquisadores, o exoplaneta encontrado possui uma massa cerca de 13 vezes maior do que Júpiter, e uma das estrelas que ele orbita está morta (conhecida como anã branca).

O estudo e a pesquisa

Conseguimos obter indicações bastante sólidas da existência de um exoplaneta gigante, com massa quase 13 vezes maior que a de Júpiter [maior planeta do Sistema Solar] em um sistema binário evoluído. É a primeira confirmação de um exoplaneta em um sistema desse tipo”, disse Leonardo Andrade de Almeida, um dos autores do estudo. O sistema binário foi nomeado, até o momento, como KIC10544976, e está localizado na constelação do Cisne. Eles chegaram a conclusão de que ele orbita entre duas estrelas através de seus intervalos de eclipses; o tempo entre um eclipse e outro indica fortemente que ele orbita ao redor das duas estrelas.

“A variação do período orbital de um sistema binário ocorre em razão da atração gravitacional entre os três objetos, que passam a girar em torno de um centro de massa comum”, explicou Almeida. E continuou: “A variação da atividade magnética do Sol e de outras estrelas isoladas causa uma alteração em seus campos magnéticos. Já em estrelas que compõem um sistema binário isso provoca uma mudança no período orbital, que chamamos de mecanismo Applegate”.

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Para observar esses fenômenos, a equipe utilizou o satélite Kepler, uma das maiores e mais importantes fontes de informações em órbita. "Esse sistema é único. Nenhum outro sistema similar possui dados suficientes que nos permitam calcular a variação do período orbital e o ciclo de atividade magnética da estrela viva”, disse Almeida em relação à estrela viva do sistema. “Isso afasta totalmente a hipótese de que a atividade magnética gere essa variação do período orbital. A explicação mais plausível é a presença de um planeta gigante ao redor desse sistema binário, com massa próxima a 13 vezes à de Júpiter”, comentou também o pesquisador.

Para finalizar, ele deixa claro que as pesquisas continuam: “Estamos sondando 20 sistemas com possibilidade de gravitar corpos externos, como o KIC10544976, e a maioria só é observável a partir do Hemisfério Sul. O GMT permitirá fazer a detecção direta desses objetos e obter respostas importantes sobre a formação, a evolução e a possibilidade de vida nesses ambientes exóticos”.

Fonte: Planeta Universitário  Imagem: Getty

Andressa Zabeu
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