Câncer do colo do útero: a Austrália estaria a um passo de erradicar essa doença
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Câncer do colo do útero: a Austrália estaria a um passo de erradicar essa doença

Segundo um novo estudo, a Austrália estaria a um passo de vencer uma luta crucial contra o câncer do colo do útero. Em 25 anos, o país teria tido uma queda de 50 % dos casos, deixando pensar que a doença poderia ser erradicada daqui a vinte anos.

Todos os anos, na França, cerca 1100 mulheres morrem de um câncer no colo do útero. Um verdadeiro problema, classificado como o décimo motivo no ranking de causas de mortalidade feminina no país. Contudo, do outro lado do globo, na Austrália, é uma tendência totalmente oposta que se desenha.

Recentemente publicados na revista The Lancet Public Health, pesquisas realizadas por uma equipe de pesquisadores do Cancer Council Australia em New South Wales - a instituição de caridade nacional de luta contra o câncer - prevê que: daqui a dois anos, a taxa de incidência da doença deve cair para seis novos casos por ano por 100.000 habitantes. Uma taxa excepcionalmente baixa, que rebaixaria o câncer do colo do útero para uma doença rara.

Melhor ainda, até 2028, os cientistas esperam uma quase erradicação da doença, com uma taxa de incidência de menos de 4 novos casos por ano por 100.000 habitantes. "A Austrália, campeã mundial no campo da prevenção do câncer do colo do útero, está a caminho de eliminar [essa patologia] dos problemas de saúde pública até 2028", afirmam os cientistas em sua publicação.

Um câncer menos frequente, mas também menos fatal

Além da esperada queda drástica no número de novos casos, a mortalidade também deve cair significativamente: menos de uma morte por 100.000 habitantes por ano até 2034. Para elaborarem essas previsões, os pesquisadores desenvolveram um modelo baseado em dados reais da incidência da doença e dos riscos de mortalidade associados. Para preverem a evolução dessas variáveis ​​entre 2015 e 2100.

Enquanto na França as perspectivas estão longe de ser tão agradáveis, em nível global, a situação é ainda mais preocupante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer do colo do útero representa o quarto tipo mais comum de câncer feminino em termos de frequência, associado, além disso, a uma taxa de mortalidade especialmente alta.

O motivo: a detecção muitas vezes tardia da doença, cujos sintomas geralmente permanecem em silêncio por muito tempo.

Uma política de saúde pública eficaz

A Austrália é, portanto, uma exceção nessa área. Uma privilegiada situação de saúde, que inclui o estabelecimento de um programa nacional de rastreio, lançado em 1991, encorajando todas as mulheres com mais de 18 anos ou tendo uma vida sexual ativa a realizar um exame a cada dois anos.

No ano passado, o país decidiu substituir esse método de triagem por uma técnica ainda mais eficiente: o teste do HPV, uma prática que pode detectar uma possível infecção pelo papilomavírus humano. Este patógeno é de fato suspeito de ser responsável, em quase todos os casos, pelo aparecimento do câncer do colo do útero. Desde 1991, a detecção de sua presença, combinada com a vacinação, teria permitido, de acordo com as autoridades de saúde australianas, uma redução de 50% das taxas de incidência e mortalidade da doença.

"A Austrália provavelmente será o primeiro país a atingir a eliminar o câncer do colo do útero, dada a nossa baixa taxa atual, e nossos programas de prevenção eficazes", diz Megan Smith, co-autor dos trabalhos. No entanto, é necessário manter os esforços de vigilância e vacinação, de acordo com o Australian Cancer Council. Um exemplo que poderia inspirar a França a deter uma problema nacional que ainda possui cerca de 3.000 novos casos por ano.

Escrito por De Freitas Agostinho
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