Baratas-d’água gigantes: insetos de picadas dolorosíssimas e capazes de comer peixes e tartarugas

Baratas-d’água gigantes: insetos de picadas dolorosíssimas e capazes de comer peixes e tartarugas

A barata-d’água não é um inseto muito bem conhecido pelo brasileiro, mas deveria ser, sua picada é dolorosíssima e a capacidade predatória é simplesmente assustadora.

As baratas d’água gigantes são insetos até que comuns no Brasil. Não é nada extraordinário nos depararmos com um espécime andando por um terreno seco. Apesar de ser um animal tipicamente aquático, esses insetos têm fortes asas e são voadoras poderosas. Pela noite, eles costumam ser atraídos pela luz, o que os fazem ser encontradas pela cidade desorientadas.

Hábitos da barata-d’água gigante

As baratas d’água pertencem à família Belostomatidae, e pertencem a cerca de 150 espécies diferentes, podendo chegar até a 15 centímetros de comprimento. Se você se assusta já com a barata comum, imagine ao ver uma dessas. O habitat desse inseto é bastante variado, incluindo mangues, beiras de rio, cachoeiras, e áreas úmidas com água sem muita correnteza.

As baratas-d’água gigantes são em sua grande maioria encontradas por humanos quando estão fora de seus habitats naturais, ambientes aquáticos. Os adultos podem ser vistos voando em busca de uma parceira ou de companheiros. Sua atividade é sobretudo noturna e usam a luz como orientação para se movimentarem, mas, antes da intensa atividade humana, bastava as luzes da lua e das estrelas.

O ataque

Esse inseto de até 15 cm e de um par de ferrões enormes, que são usados para injetar enzimas digestivas para dentro de suas presas, é capaz de capturar ou caçar animais impressionantes para uma barata. Em 2011, Shin-Ya Ohba, estudioso japonês do inseto, fez a primeira observação de uma barata-d’água gigante caçando e comendo uma tartaruga.

O que você pode ver em seus ataques é que a sua estratégia de caça é sofisticada e inteligente, essas baratas armam emboscadas, e assim que elas conseguem chegar até suas presas, elas injetam o veneno digestivo, esperam alguns minutos, e então chupam o que resultou.

O que é mais impressionante, ou assustador, é que elas não só pegam pequenos peixes ou insetos menores ou seres em putrefação, mas são capazes de abater pequenas tartarugas, cobras, patos, entre outros bichos desse porte. Não é difícil de encontrar histórias em que humanos levaram picadas de baratas d’água, as quais foram relatadas como “dor infernal” ou que “dói tanto quanto um coice de cavalo”.

Um tema recorrente que aparece nos trabalhos sobre esse animal é a sua coragem e ousadia durante a caça, além da completude e complexidade morfológica que apresentam, tendo entre seus múltiplos recursos, a camuflagem, que a torna facilmente confundida com folhas caídas das árvores.

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Elas são espertas, tendo ficado conhecidas por se fingirem de mortas quando se dão conta da ameaça de um predador muito maior que elas, como os seres humanos. Para aumentar o efeito e provocar seu predador ao desistir de caçá-la, as baratas d’água soltam um fluido de seu ânus, mas isso é só mais um jeito de te enganar.

Importantes para o ecossistema

O comportamento das baratas d’água lembra o das aranhas, mas as primeiras são aptas a fazerem tudo de baixo d’água. Essa espécie respira em seu meio como todos outros insetos aquáticos, a partir de bolhas de ar que conseguem manter em seu corpo.

Embora seu comportamento e aparência sejam para muitos aterrorizantes, as baratas-d’água gigantes exercem um papel fundamental no ecossistema em que participam. A sua versatilidade de caça e dieta possibilitam manter o ambiente sempre controlado de espécies invasoras. Ohba, em um de seus artigos publicados, conta que é possível conservar ecossistemas inteiros com ajuda de baratas-d’água gigantes.

 (Fonte: National Geographic) 
Gouvea Aline
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