"Prisões" com mais de uma centena de baleias foram reveladas na Rússia

"Prisões" com mais de uma centena de baleias foram reveladas na Rússia

Jornalistas revelaram a existência de pequenas armadilhas instaladas em uma baia ao longo das costas da Rússia. "Prisões" que serviriam para prender mais de uma centena de animais marinhos, especialmente orcas e belugas, com o objetivo de vendê-las a parques temáticos na China.

Enquanto a captura de baleias é cada vez mais denunciada mundo afora, uma triste descoberta que acaba de ser revelada por fontes russas. Sobre a costa leste da Rússia, numa baia perto da cidade de Nakhodka, pequenas armadilhas mantidas por homens armados foram reveladas. Armadilhas essas que abrigavam mais de uma centena de baleias entre as quais onze orcas e 90 belugas.

É a primeira vez que um número dessa magnitude de baleias foi observado em cativeiro em pequenas armadilhas temporárias, explica o jornal independente Novaya Gazeta. De acordo com os primeiros elementos da entrevista dada por esse último, alguns animais estariam retidos desde o mês de julho nessas caixas, as quais as mídias locais qualificaram de "prisões de baleias".

As ONGs de proteção ao meio-ambiente locais afirmam que o objetivo é de revender espécimes a parques temáticos da China, contornando assim  as leis de captura de baleias selvagens. No exato momento, a China abriga já cerca de 60 parques aquáticos, fora mais uns 12 que estão sendo construídos.

Captura muito regulamentada

Desde 1982, as baleias não podem mais ser capturadas exceto por razões científicas e de educação, e isso em proporções muito limitadas. Assim, leis internacionais estipulam que apenas 13 orcas poder ser capturadas por ano, mas a sua exportação comercial é estritamente proibida. Uma legislação que não impediu um mercado negro, um dos mais lucrativos, de se desenvolver.

De acordo com o jornal The Telegraph, uma orca poderia ser revendida por mais de vinte milhões de reais em vista à alta demanda. "Se as capturamos nesse ritmo, corremos o risco de perder toda a nossa população de orcas", desespera-se em entrevista o jornalista britânico Oganes Targulyan, coordenador do Greenpeace Rússia. "A cota de captura é de 13 animais por ano, mas não se pode esquecer que uma orca morre por cada outra orca que é capturada".

Infelizmente, as quatro empresas proprietárias das armadilhas onde se encontravam atualmente as baleias não estão mais ao alcance. Elas já tinham sido pegos em flagrante por ter exportado 13 orcas para a China entre 2013 e 2016. Para evitar que as transações não caíssem ao crivo da lei, elas tinham declarado ter "alugado" orcas a empresas chinesas.

Num procedimento similar ao feito em julho passado contra empresas anônimas, um comprovante alfandegário atestando uma baleia avaliada por cerca de cinco milhões de reais foi revelado.

Certamente animais ainda filhotes

Imagens capturadas do céu foram deram amostras das condições de vida deploráveis das baleias. Em vista do tamanho das gaiolas onde elas viviam há meses e em vista do número em que viviam, as orcas e as belugas são certamente espécimes muito jovens. Um cativeiro qualificado de "tortura" pelo Greenpeace lembra que a captura de baleias filhotes é totalmente proibida.

A situação se torna ainda mais crítica quando se dá conta dos comportamentos sociais e da necessidade de espaço dessas baleias. Ignora-se, no entanto, tudo que diz respeito à origem dos espécimes retidos em cativeiro perto de Nakhodka. Uma busca dirigida pelas autoridades estaria sendo feita para verificar os documentos em posse das quatro empresas e para determinar as circunstâncias de captura das baleias.

Leia também
Imagens de um enorme tubarão-tigre capturado na Austrália comovem a internet

A investigação teria também como objetivo avaliar as condições de cativeiro e a legalidade das estruturas que recebiam a centena de espécimes. No momento atual, a Rússia é o único país que captura orcas vivas em seu meio natural, de acordo com ecologistas, a fim de revendê-las na China especialmente, mas também nos países do Golfo Pérsico onde esse tipo de diversão ainda é comum.

A consequência desse pesca ilegal, que não data de um dia desses, a região vizinha de Kamchatka declarou que as orcas, por serem uma espécia em perigo, deverão ser ainda mais protegidas contra as capturas ilegais.

De Freitas Agostinho
Leia mais
Sem Internet
Verifique suas configurações