A Austrália enfrenta uma grave crise ecológica

A Austrália enfrenta uma grave crise ecológica

Nesse último mês de dezembro, uma eflorescência de algas afetou a Austrália, matando mais de um milhão de peixes. Suas razões ainda são incertas, mas parece que a situação não vai melhorar tão cedo.

Na semana anterior ao natal, uma catástrofe ecológica afetou a Austrália. Várias centenas de percas foram encontradas mortas nas águas do Darling River, vítimas de uma eflorescência de algas. As centenas rapidamente viraram milhares, e então mais de um milhão de peixes teriam finalmente morrido, a situação não parece melhorar por enquanto.

Invasão verde

"Eu nunca tinha visto duas hecatombes de peixes desse tamanho chegarem nesse intervalo de tempo, mais ainda na mesma parte do rio", comenta o diretor de pesca de Iain Ellis. O departamento das indústrias primários australiano (DPI) ressalta que a seca atual (A Austrália se encontra no hemisfério Sul, ela está atualmente no Verão) seria responsável por uma eflorescência dessas.

As temperaturas elevadas e reservas de águas às vezes baixas, combinadas a uma concentração elevada de nutrientes, teriam bastado para transformar o Darling River em uma gigantesca mancha de algas tóxicas, com um impacto terrível na fauna local. As mudanças brutais de tempo (tempestade seguida de frente fria) contribuíram para agravar a situação matando a alga que, por sua vez, fez cair o nível de oxigênio presente na água.

Desastre humano

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Todavia, a explicação da seca não recai à natureza. De acordo com inúmeros licais, a má gestão das reservas de água já vem de muitos anos atrás. Essa eflorescência seria resultado inevitável das infraestruturas que modificam a corrente do Darling River, criando perigosas zonas de água parada.

"Isso em nada tem a ver com a seca, é um desastre que surge da mão do homem", diz indignado um dos moradores durante um vídeo publicado no Facebook. Infelizmente, a situação não parece estar perto de melhorar. "Esse tipo de fenômeno provavelmente vai ficar ainda mais frequente, sendo que uma grande parte da água já virou fonte para irrigação", lamenta o pesquisador do meio-ambiente Richard Kingsford.

De Freitas Agostinho
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