Esqueleto da Idade Média é descoberto em Londres ainda com suas botas

Esqueleto da Idade Média é descoberto em Londres ainda com suas botas

Durante os trabalhos de escavação da rede de saneamento londrina, arqueólogos fizeram uma incrível descoberta: um esqueleto que data da Idade Média. Sua particularidade: jazia de frente para a terra, e ainda estava vestindo... um par de botas!

"Manter-se firme e forte": uma postura que parece convir especialmente a algumas personalidades políticas, mas também a algo bem mais incomum... a um esqueleto londrino de cinco séculos de idade! Arqueólogos encontraram, nas profundezas de um reservatório do rio Tâmisa, ossadas humanas que ainda vestiam um par de botas de couro.

A descoberta aconteceu no local do Thames Tideway Tunnel, um projeto amplo de escavação do que os londrinos nomeiam de "super sewer", em outras palavras, um "super esgoto". Uma futura fossa que se revelou, todavia, ser um lugar idílico para os arqueólogos.

Os restos encontrados ainda usando suas altas botas de couro seriam de fato de um homem da Idade Média. É bastante estranho encontrar tal objeto nessa época, o que levanta altas questões aos arqueólogos.

Descoberta excepcional

"É extremamente raro encontrar botas do final do século XV, ainda mais de um esqueleto as vestindo", disse Beth Richardson, do Museu de Arqueologia de Londres (MOLA), à National Geographic."Essas botas são muito incomuns para este período - galochas, com a parte superior abaixada, elas tinham que ser caras, e o modo como esse homem conseguiu pegá-las é um mistério." Elas eram de segunda mão? Ele as roubou? Não dá para saber", relata o arqueólogo.

Outro mistério também envolve esses vestígios medievais: sua posição peculiar. O esqueleto está de fato virado para baixo - ou melhor, contra o reservatório - o braço direito dobrado sobre a cabeça. Seu membro superior esquerdo, por sua vez, está dobrado sobre si mesmo. Um conjunto de pistas que levam os arqueólogos a uma tese para se dizer no mínimo... trágica.

Segundo eles, pode ser que não seja um enterro banal, mas uma cena de acidente. Segundo especialistas, a posição dos restos mortais e, principalmente, o valor de suas botas são compatíveis com um provável afogamento do homem.

Parte do mistério ainda não está próximo de ser revelado

As causas exatas do drama permanecem obscuras. Talvez a vítima tenha caído na água e se afogado porque não sabia nadar. Mas - outra possibilidade - é que o homem também poderia ter se assoreado no leito do rio londrino, preso em "areia movediça".

Suas estranhas botas de couro podiam, de fato, indicar a profissão da infeliz vítima, possivelmente um "mudlarker", um termo e gíria britânica que designa os escavadores de lama que buscam obejos de valor pela lama, existentes inclusive na época no leito do Tâmisa. Uma possibilidade corroborada pelas características físicas do homem.

"Sabemos que foi solidamente construído, os pontos de fixação muscular do tórax e dos ombros são muito visíveis, os músculos foram formados fazendo muito trabalho repetitivo durante um longo período de tempo", diz o osteologista do MOLA Niamh Carty.

Velho precoce

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Por mais musculoso que seja, ele ainda é o homem das botas de couro - certamente, pelo menos por trinta anos - já sofria de sérios problemas ósseos e articulares, em particular osteoartrite, além de várias lesões, sem dúvida, acidentais. "Ele não teve uma vida fácil", diz Niamh Carty. "O início dos 30 anos era uma idade mediana na época, mas ainda assim, sua idade biológica era maior".

De agora em diante, é a identidade precisa do falecido que os especialistas tentam revelar. Uma investigação digna dos maiores thrillers históricos, eles pretendem realizar incluindo o uso de análise isotópica. Um método aplicado para estudar os elementos estáveis ​​ou radioativos presentes naturalmente nos ossos, o que poderia revelar - entre outras características - as origens do falecido, ou sua dieta.

"O que estamos fazendo é um ato de recordação", conclui enfim Niamh Carty. Um dever de memória para este enigmático londrino, que desde a sua morte no século XV, permaneceu imperturbável e "firme e forte em suas botas".

De Freitas Agostinho
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