Brasileiros criam pomada contra picada mortal de aranha

Brasileiros criam pomada contra picada mortal de aranha

Cientistas brasileiros desenvolveram pomada contra picada de aranha-marrom.

Pequena mas mortal

Ao contrário da aranha Goliath, uma das maiores do mundo, a aranha-marrom é pequena: seu tamanho pode variar de 0,6 mm até 2 cm. Porém, ela é uma das aranhas mais letais do mundo e sua picada causa danos muito severos. Ela é também a responsável pelo maior número de picadas no Brasil: são em média 7 mil pessoas picadas por ela todos os anos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação , o Sinan, criado pelo Ministério da Saúde. Seu veneno destilado causa falência renal, necrose na pele e pode causar até a morte.

Pomada contra os efeitos nocivos da aranha-marrom

Um grupo de cientistas brasileiros do Instituto Butantan criou uma pomada que ameniza todos esses efeitos nocivos causados pela picada da aranha-marrom. Em entrevista ao canal de notícias da BBC, a cientista Denise Tambourgi, principal responsável pelo andamento das pesquisas, disse que o princípio ativo da pomada é à base da tetraciclina, um composto já usado em antibióticos. Porém, a quantidade usada é um pouco menor do que este tipo de medicamento: "Utilizamos numa concentração abaixo da que seria microbicida, no entanto", disse ela na entrevista. "Ou seja, menor do que a necessária para ser considerado antibiótico. Mas a empregamos em uma dosagem capaz de interferir na atividade da esfingomielinase D, proteína que é o componente principal do veneno da aranha e que está envolvida no processo de inflamação e de destruição do tecido (necrose) e outros efeitos", explicou Denise mais detalhadamente.

Em 80% dos casos de picada da aranha-marrom, as vítimas apresentaram necrose cutânea; porém, os 20% restantes também apresentaram destruição dos glóbulos vermelhos do sangue (hemólise), coágulos nos vasos sanguíneos que atrapalham a circulação (agregação plaquetária), falência renal e até mesmo a morte. "Costumo dizer que o veneno só dá o 'start' e a proteína altera as células. Depois, ocorre uma desregulação do organismo, que leva à produção de proteases - enzimas cuja função é quebrar as ligações químicas de outras proteínas, o que, por sua vez, causa a morte celular e a necrose. São essas proteases, portanto, que devem ser inibidas pela pomada". Em suma, os cientistas brasileiros desvendaram como o veneno atinge as células e desenvolveram uma pomada capaz de impedir este procedimento.

Testagem

Os testes de verificação de eficácia da pomada foi feito em células de pele humana e também de animais. Desde 2005, a equipe está testando o efeito da pomada e os resultados foram sempre cada vez mais positivos. Denise explicou também como foram realizadas as testagens: "Realizamos vários experimentos, aplicando o veneno da aranha-marrom nas culturas. Como esperávamos, as células morriam. Depois, as expomos à toxina e à tetraciclina, em várias dosagens, ao mesmo tempo. Constatamos, então, que o veneno não era mais capaz de matar as células". Após a testagem com células humanas, foram usados coelhos no procedimento, já que a lesão sofrida por eles é muito parecida com a dos humanos. Injetamos o veneno na pele deles e depois de algumas horas começamos a tratá-los com uma pomada que continha tetraciclina e lanolina. Esta última entrou na composição porque é capaz de levar a droga para as camadas mais profundas da pele". Os resultados foram muito bons, e os testes passaram a ser feitos em seres humanos. 

• De Freitas Agostinho
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