A criação de uma imensa reserva marinha na Antártida é impedida por três países

A criação de uma imensa reserva marinha na Antártida é impedida por três países

Como resultado de uma reunião organizada há alguns dias entre 25 nações membros da Convenção sobre a conservação da fauna e da flora marinhas da Antártida (CCAMLR), o projeto de criação da mais vasta reserva marinha do mundo foi parado. Três países se colocaram como oposição: a Noruega, a China e a Rússia.

A Noruega, a China e a Rússia. Essas são as três nações responsáveis ​​por impedir o projeto de criação da maior reserva natural marinha do mundo. Em uma reunião realizada recentemente em Hobart, na Tasmânia, esses três países se opuseram ao projeto da Convenção sobre a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR).

Três vozes dissonantes comparadas com as dos outros 22 participantes nas discussões, que aprovaram a criação de um vasto santuário marinho na Antártida. O projeto era ambicioso e promissor para a fauna marinha que vive nos 1,8 milhões de quilômetros quadrados que estavam previstos para serem incluídos no perímetro de proteção.

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As baleias azuis, os leopardos marinhos, as orcas ou os pinguins estão sendo impedidos de ter a paz necessária para sua sobrevivência.Uma reunião histórica perdida"Essa foi uma oportunidade histórica de criar a maior área protegida da Terra na Antártica: salvar a vida selvagem, combater as mudanças climáticas e melhorar a saúde dos nossos oceanos globais", disse Frida Bengtsson, responsável pela campanha "Protect the Antarctic", liderada pela associação de proteção ambiental Greenpeace.

"Vinte e duas delegações vieram aqui para negociar de boa fé, mas, em vez disso, projetos científicos sérios para proteção rápida do ambiente marinho foram recusados ​​por causa de uma bobagem constituída de intervenções que envolveram muito pouca ciência e foram uma farsa, uma deturpação da realidade deliberada", ataca a líder da associação.

Além da proteção de espécies vivas, é acima de tudo o clima que fica ameaçado por esta decisão. O Oceano Antártico é de fato um verdadeiro prisioneiro de carbono, capaz de, graças ao krill que abriga - minúsculos camarões - livrar a atmosfera de parte de seu dióxido de carbono. É precisamente o krill que estaria no centro das oposições das três nações.

De acordo com grupos de proteção, a criação de um santuário desse tipo teria de fato prejudicado a pesca desses minúsculos camarões no Mar de Weddell, na Antártida. Uma prática que se intensificou bastante nos últimos anos e na qual os três países opostos estão envolvidos.

Uma urgência absoluta

"Estamos ficando sem tempo e os cientistas estão claramente dizendo que precisamos criar reservas marinhas em pelo menos 30% de nossos oceanos até 2030 para proteger a vida selvagem, garantir a segurança alimentar das pessoas e de bilhões de pessoas e ajudar a combater a mudança climática", diz Frida Bengtsson.

Uma urgência também apresentada pelas Nações Unidas, cujos líderes acreditam que temos pouco mais de doze anos para agir contra as mudanças climáticas. A decisão de impedir a efetivação desse projeto de proteção da fauna marinha também ocorre no exato momento do anúncio do desaparecimento, nos últimos quarenta e cinco anos, de quase 60% das populações de vertebrados.

"Se organizações como a Convenção de Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos continuam fracassando em sua missão de proteger o oceano, mostram-se ser assim claramente incapazes de atingir o propósito, e não fazem parte da solução", conclui Frida Bengtsson. Um triste relato de fracasso numa época em que uma explosão ecológica é, no entanto, mais do que necessária, e que ainda é especialmente possível.

• Marcos Silva
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