Uma espécie rara de albatroz é ameaçada de extinção por ratos predadores
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Uma espécie rara de albatroz é ameaçada de extinção por ratos predadores

Na ilha britânica de Gough, no meio do Atlântico sul, uma espécie rara de albatroz está ameaçada de extinção, parte disso é por causa de um rato que ataca os ovos e filhotes.

O alerta vermelho foi lançado para o albatroz Tristão da Cunha (Diomedea dabbenena). Esta é a mensagem divulgada segunda-feira pela Royal Society for the Protection of Birds (RSBP). Esta espécie habitante da ilha de Gough realmente se juntou ao gurpo de aves criticamente ameaçadas. Isto é devido, entre outras coisas, a grandes ratos predadores que comem seus ovos e seus filhotes.

Esta ilha do Atlântico Sul, território britânico, é desabitada, mas abriga mais de oito milhões de aves de 23 espécies diferentes. Sua fauna e flora também são classificadas como Patrimônio Mundial da UNESCO. Ela serve como um terreno fértil para muitas espécies de aves marinhas, incluindo o albatroz Tristão da Cunha. Se um dia tinha se estabelecido na ilha de mesmo nome, também localizada no arquipélago de Santa Helena, migrou definitivamente para o território vizinho de poucos quilômetros.

Este albatroz distingue-se pelo bico rosado e pela plumagem preto e branca. No entanto, os primeiros meses de um filhote são tão complicados quanto para os outros albatrozes. Uma vez chocado, o filhote deve esperar entre oito e nove meses para que suas asas sejam desenvolvidas para sair de seu ninho, tudo isso diante de condições de vento e chuva particularmente inconvenientes.

Ratos importados no século XIX

Mas o mau tempo não é, contudo, o maior perigo que os albatrozes jovens enfrentam. De fato, em camundongos vivos da Ilha Gough, importados por colonos britânicos no século XIX. Sem predadores, eles gradualmente proliferaram e evoluíram para se tornarem carnívoros. Pior, eles estão acostumados a comer albatrozes jovens, jovens demais para fugir.

O problema é que esses camundongos, crescidos e mais numerosos, agora comem centenas de albatrozes jovens todos os verões. As perdas chegam a dois milhões de filhotes mortos por ano de todas as espécies, diz o RSPB. Para fazer isso, vários deles atacam o mesmo animal, devorando-o vivo e deixando-o para agonizar por vários dias com feridas cruas.

"Muitas das aves na ilha de Gough são pequenas e fazem seus ninhos em tocas, os filhotes são pequenos e não têm como escapar, então viram presas fáceis para um rato oportunista", disse Anthony à BBC. Caravaggi, biólogo da Universidade de Cork, na Irlanda. "Esses camundongos se adaptaram tão bem que cresceram e agora atacam todos os tipos de aves marinhas, até mesmo os jovens albatrozes Tristan, que são maiores que os outros."

21% dos filhotes sobreviveram em 2018

Uma equipe tentou medir os danos à população de albatrozes, contando os ovos em janeiro e o número de albatrozes prontos para deixar o ninho em setembro. A descoberta é alarmante. Dos 1.453 ninhos cheios, contados em fevereiro de 2018, apenas 309 filhotes ainda estavam vivos em setembro, uma taxa de sobrevivência de 21%.

Segundo a equipe de contagem, a situação é dramática. Há apenas 1.500 pares de albatrozes-de-trismo habitando esta ilha e, enquanto apenas 20% dos jovens podem ir ao mar todos os anos, as espécies permanecerão criticamente ameaçadas de extinção. "Se isso continuar, o albatroz de Tristan desaparecerá muito rapidamente, e isso também vale para outras espécies: o petrel de Schlegel e o prião de MacGillivray serão os próximos se os ratos não forem mortos", diz Caravaggi.

Se os camundongos evoluíssem para se tornarem predadores albatroz, os pássaros poderiam evoluir para aprender a se defender contra eles? Não é tão simples assim. Os albatrozes passam os primeiros dez anos de vida no mar, e mudanças de comportamento levam muito tempo para se desenvolverem. "Ao contrário do rato, onde há novas gerações duas vezes por ano, essas aves vivem aqui porque não têm predadores, não sabem inatamente como reagir", diz o Dr. Alex Bond, do Museu de História Natural de Londres, que já escreveu sobre o assunto.

Um plano desenvolvido para erradicar ratos

Para resolver o problema, os governos da Inglaterra e da África do Sul formaram um plano de ação para 2020. É homérico. Um barco, transportando dois helicópteros e paletes de grãos envenenados será enviado para a ilha da África do Sul. Para quê? Para espalhar cereais de helicóptero pela ilha. Cada um vai conter um anticoagulante que deve matar os ratos dentro de 24 horas. Até então, não se vê perigo nisso.

"Limpar as ilhas de espécies invasoras é algo que já foi feito em mais de 700 ilhas ao redor do mundo, não é algo novo, mas sim uma técnica experimentada e testada que pode nos trazer a solução que precisamos", afirma Dr. Alex Bond.

Escrito por De Freitas Agostinho
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