Náutilo extremamente raro foi visto pela primeira vez após 30 anos na Papua-Nova GuinéNáutilo extremamente raro foi visto pela primeira vez após 30 anos na Papua-Nova Guiné
Náutilo extremamente raro foi visto pela primeira vez após 30 anos na Papua-Nova Guiné
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Náutilo extremamente raro foi visto pela primeira vez após 30 anos na Papua-Nova Guiné

Esse pode ser o animal mais raro da Terra. Depois de trinta anos sem dar nenhum sinal de vida, Allonautilus scrobiculatus, pequeno molusco da família dos náutilos, faz nova aparição sob as lentes de um biólogo norte-americano. Um encontro inédito.

 

Uma das criaturas mais raras no mundo foi recentemente identificada pelo biólogo norte-americano Peter Ward nas águas próximas de Papua-Nova Guiné. O espécime é um molusco da família dos náutilos, conhecidos pelo nome de Allonautilus scrobiculatus

Para o professor da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, este é o seu segundo encontro com o animal.Um evento ainda mais inédito é o fato de ele ser um dos dois privilegiados a ter esta oportunidade.

"Até agora", diz ele, "apenas duas pessoas viram o Allonautilus scrobiculatis. O meu colega Bruce Saunders, da Faculdade Bryn Mawr, que foi o primeiro a descorbrir (em 1984), e eu, algumas semanas depois."

Sem notícias durante trinta anos

Graças às observações de espécimes encontrados naquele ano, Perter Ward e Bruce Saunders conseguiram identificar e descrever a nova espécie. No entanto, a espécie nunca mais foi vista.

Os arquivos relatam uma aparição rápida em 1986. Por conta do desaparecimento, os pesquisadores chegaram a pensar que o animal provavelmente havia desaparecido. Mas, trinta anos mais tarde, reapareceu para surpresa dos cientistas que mal conseguiam esconder o entusiasmo. 

Essa recente descoberta demonstra que o animal não é uma espécie extinta, mas extremamente rara. Para conseguir tal façanha, Peter Ward desenvolveu com sua equipe um sistema de câmeras istalado à 400 metros abaixo do nível do mar.

Uma aparição inesperada

Graças a esse dispositivo, foi possível capturar a atividade contínua de espécies submarinas, Numa noite de julho, os aparelhos registraram, inesperadamente, a passagem de um Allonautilus scrobiculatus. Uma outra espécie de náutico ainda se juntou a ele.Os dois moluscos brigavam pela isca e a disputa só foi interrompida pela chegada de um peixe. O Allunautilus scrobiculatis se caracteriza pela forma de sua carapaça com pelos e seus orgãos reprodutivos masculinos, significativamente diferentes das outras espécies de náutilos.

Durante sua pesquisa, a equipe conseguiu capturar vários espécimes de náutilos, inclusive a espécie em questão. A equipe coletou amostras de tecido, conchas e membranas antes de devolvê-los à água. 

 

Raras e ameaçadas?

Agora, os investigadores esperam não ter que esperar décadas para observar o molusco novamente.

No entanto, a sobrevivência desses animais pode ser ameaçada por projetos de mineração no fundo do mar, recentemente autorizados pelo Governo de Papua-Nova Guiné. A pesca ilegal na região também representa perigo. "Uma vez que [os náuticos] saem de uma região, eles não voltam mais", comenta Ward numa palestra. "Da maneira como está hoje, a procura por náutilos pode levá-los à extinção", lamentou ele, acrescentando que a linhagem desses animais é ainda mais antiga que a dos dinossauros, e sobreviveu à duas extinções em massa.

Escrito por Bruna Moura
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