Úlcera péptica

A úlcera é uma inflamação crônica do tubo digestivo que pode estar ligada a vários fatores. Este problema pode ser muito doloroso, dependendo do caso, e levar a sérias complicações. Mas quais são os sintomas da úlcera e como tratá-la? Explicaremos a seguir.

O que é uma úlcera?

A úlcera péptica é uma ferida profunda, que se forma na parede interna do tubo digestivo. Ela pode ter duas localizações: no estômago, a chamada úlcera gástrica, e no duodeno (primeira parte do intestino delgado), a chamada úlcera duodenal.

No entanto, as úlceras do duodeno são 10 vezes mais frequentes do que as do estômago. Vários fatores podem aumentar o risco do aparecimento de uma úlcera, mas ela está sempre ligada a um desequilíbrio no estômago.

As células do estômago fabricam um suco muito ácido utilizado para a digestão dos alimentos. Para que esta substância não ataque as mucosas do tubo digestivo, outras células são responsáveis pela produção do muco e do bicarbonato que protegem as paredes. No caso de uma úlcera, o processo é rompido e as mucosas são atacadas pela acidez do suco.

A úlcera é uma doença que evolui em surtos e que pode levar a complicações graves como uma perfuração ou uma hemorragia digestiva. De maneira geral, a doença ulcerosa afeta mais os homens do que as mulheres e é mais comum entre 50 e 70 anos.

Causas: o que causa a úlcera?

Embora a doença seja conhecida há muito tempo, uma descoberta revolucionou a sua compreensão em 1983, quando os pesquisadores identificaram a principal causa da úlcera: uma bactéria conhecida como Helicobacter pylori. Este microrganismo geralmente é contraído pela boca e é capaz de sobreviver à acidez presente no tubo digestivo.

Hoje estima-se que esta bactéria é responsável por 60% a 80% das úlceras do estômago e por 80% a 85% das úlceras duodenais. Graças à sua resistência, ela pode invadir a camada de muco que protege o estômago e o intestino delgado da acidez e perturbar esse mecanismo.

A segunda causa mais comum de úlceras é a ingestão de anti-inflamatórios não esteroides ou AINEs. A combinação entre uma infecção com a bactéria H. pylori e a ingestão de anti-inflamatórios aumenta 60 vezes o risco de uma úlcera.

Em menor grau, as úlceras podem ser criadas pela produção excessiva de ácido pelo estômago devido a fatores como o tabagismo, álcool, estresse ou uma predisposição genética.

Sintomas: como a úlcera se manifesta?

A úlcera se caracteriza pelo aparecimento de uma dor na parte superior do abdômen. Ela pode parecer uma cãibra ou uma sensação de fome muito acentuada. No caso de úlcera do estômago, a dor se acentua ao comer ou beber. Por outro lado, no caso da úlcera duodenal, a dor desaparece durante as refeições, mas se acentua de uma a três horas após a refeição.

A dor aparece e desaparece em surtos que podem durar algumas semanas, intercaladas com períodos livres de sintomas. Quando há a ocorrência de náuseas, vômitos, sangue nas fezes, fadiga ou perda de peso, é sinal de um agravamento da doença.

Em caso de suspeita de úlcera, o médico realiza um exame do abdômen para localizar as dores. O diagnóstico é confirmado por meio de uma endoscopia que permite observar o interior do tubo digestivo com uma pequena câmera. Se houver uma úlcera, ela aparece sob a forma de uma fissura oca na parede gástrica ou intestinal.

Tratamento: como tratar uma úlcera?

O tratamento da úlcera é principalmente medicamentoso, mas também pode ser cirúrgico. Feito por um gastroenterologista, consiste em cicatrizar a lesão e prevenir recaídas.

- Tratamento medicamentoso:

O tratamento da úlcera é à base de dois tipos de medicamentos. Primeiramente o médico prescreve medicamentos antissecretores que reduzem a secreção de ácido no estômago e ajudam a cicatrizar a úlcera. No caso de uma infecção pela bactéria H. pylori, antibióticos são associados aos antissecretores.

Para verificar se a bactéria foi eliminada, um mês após o tratamento, é feito um teste respiratório com ureia, que detecta a presença do microrganismo no estômago. Uma endoscopia também pode ser realizada, especialmente no caso de úlcera gástrica ou quando o teste respiratório com ureia é positivo. 

- Tratamento cirúrgico:

Este tipo de tratamento geralmente é indicado quando há complicações, como hemorragia ou perfuração. No entanto, pode ser escolhido no caso de ausência de cura. As intervenções variam, dependendo do caso, e podem, por exemplo, consistir na remoção de uma parte do estômago.

Durante os tratamentos, os doentes também devem ter um estilo de vida saudável. Eles devem ter uma boa alimentação durante as crises dolorosas e evitar os fatores que podem agravar o problema, como o álcool ou o tabaco. Recomenda-se também tomar algumas medidas para reduzir o estresse, como praticar uma atividade física, por exemplo.

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