Tripofobia

A origem da tripofobia, ou seja, o medo de pequenos buracos, pode ter sido descoberta: um reflexo antigo de sobrevivência mantido pela evolução, de acordo com um novo estudo.

Você é tripofóbico? Não? Talvez você seja e não saiba. A tripofobia, é o medo de furos pequenos aglomerados, como pode ser visto nos troncos das árvores, esponjas, ou de sementes de lótus. Em pessoas que sofrem da doença, a simples visão desses buracos pode dar origem a uma verdadeira crise de pânico.

Pela primeira vez, uma equipe de cientistas examinou a origem desse medo incomum, e encontrou uma correlação com animais perigosos. Claramente, esta fobia é a herança de um antigo instinto de sobrevivência preservado pela evolução.

Os buracos da flor de lótus

Mesmo que esse medo não seja reconhecido oficialmente, milhares de pessoas em todo o mundo se declaram tripofóbicas, como podemos observar neste grupo no Facebook com mais de 6.000 membros. Pesquisadores especialistas em visão da Universidade de Essex, na Inglaterra, entrevistaram cerca de 300 pessoas para entender melhor as origens desta doença, que o coautor Geoff Cole qualifica como "a fobia mais comum sobre a qual você nunca ouviu falar”.

Em um estudo publicado pela revista Psychological Science, os cientistas distribuíram aos voluntários 76 fotos de objetos e de plantas com pequenos orifícios, entre as quais os aquênios de lótus, assim como 76 fotos normais. Os pesquisadores, então, descobriram que as imagens que desencadearam a maioria das crises de tripofobia eram as que tinham um forte contraste de cores.

Animais peçonhentos

Mas por que estas imagens e formas podem desencadear reações tão fortes? Um dos participantes dá uma pista aos pesquisadores: quando criança, foi a visão de um animal que originou a primeira crise fóbica. Este animal, um polvo de anéis azuis, era coberto de círculos sobre a pele, indicando sua natureza extremamente venenosa. Foi o que levou Geoff Cole ao que ele chama de um "momento Eureka!".

Ao analisar fotos de diversos animais peçonhentos (escorpiões, cobras, aranhas, rãs), descobriu-se que eles também tinham fortes contrastes visuais. "Estes resultados sugerem que pode haver uma parte do cérebro que a evolução programou para nos avisar se estivermos de frente com um animal venenoso", diz Geoff Cole.

Dessa forma, por associação, os objetos que compartilham as mesmas características visuais podem desencadear uma reação fóbica. "Acreditamos que todo mundo tem tendências tripofóbicas sem ter consciência disso", acrescentou Cole. "Notamos que mesmo em pessoas não fóbicas, as imagens tripofóbicas eram menos agradável de assistir".

Incorporado no subconsciente coletivo?

No entanto, as pesquisas ainda devem continuar para que se descubra mais sobre essa reação e esse medo. Para isso, os cientistas agora vão explorar as características visuais de alguns objetos para saber se a manipulação das cores pode levar as pessoas a preferir este ou aquele objeto. Isto lhes permitirá descobrir em qual momento a tripofobia é implantada no subconsciente coletivo.

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