Crianças que mexem no celular antes de dormir podem ter o sono e hormônios afetados

Crianças que mexem no celular antes de dormir podem ter o sono e hormônios afetados

Má qualidade do sono e doenças como obesidade e depressão infantil podem ser causados pelo uso excessivo de celulares e tablets e gera preocupação em pais.

Uma pesquisa do King's College, de Londres, reuniu dados de 125.198 crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos, em diversos países, e detetou efeitos negativos do uso smartphones na hora de dormir. 

A mera expectativa de receber mensagens nas mídias sociais deixava as crianças e adolescentes em estado de alerta. Ficar mexendo no celular na hora de ir para a cama faz com que a criança perca horas de sonos e durma menos, a luz emitida pelas telas inibe a secreção da melatonina, o hormônio que avisa o nosso corpo que está na hora de dormir.

A falta de sono pode interferir no rendimento cognitivo, porque o processamento de memória que ocorre na segunda metade da noite, provavelmente não aconteceu de maneira satisfatória, pode afetar o crescimento e o estado emocional. A longo prazo pode causar uma "bagunça de hormônios" que controlam, por exemplo, a saciedade, se não produz esse hormônio, a leptina, cuja liberação ocorre ao longo da noite e no início da manhã, o indivíduo vai comer mais, podendo ficar obeso e diabético.

Para combater a luz azul, já foram lançados óculos com lentes especiais e aplicativos eletrônicos que alteram a cor da luz das telas. Na Austrália, a empresa Caruso's Natural Health lançou até uma vitamina que diz proteger os olhos da luz azul. E não são só pesquisadores e pais que têm se preocupado com o assunto. Dois grandes grupos de investidores com US$ 2 bilhões em ações da Apple pediram, em carta aberta, que a empresa desenvolva softwares que limitem o uso de smartphones por crianças. 

Os acionistas citam justamente estudos mostrando o impacto negativo do celular e das redes sociais em excesso na saúde física e mental dos jovens para justificar o apelo. A Apple ainda não respondeu a eles.

• Marcos Silva
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