É possível ter bebês gêmeos tão diferentes? A ciência explica.

É possível ter bebês gêmeos tão diferentes? A ciência explica.

Uma mãe de Nova Jersey teve dois bebês gêmeos, uma menina morena de cabelos cacheados e um menino loiro de olhos azuis e cabelo liso. Acompanhe a história

Dois bebês gêmeos, dois pais diferentes

A mamãe dos gêmeos estava certa de que o pai era seu amante e pensava em se divorciar do seu atual esposo. No momento do divórcio em uma decisão incomum no Superior Tribunal de Justiça do Estado no Condado de Passaic, o juiz Sohail Mohammed pediu um teste de DNA. Foi quando foi descoberta uma raridade médica. 

O homem que, segundo a mulher, era o pai de seus gêmeos, foi considerado responsável por apenas um deles. O outro foi concebido durante um encontro que aconteceu dentro de uma semana da relação sexual com o homem que dizia ser o pai. O menino era do seu esposo enquanto a menina do seu amante... os gêmeos tinham pais diferentes!

 

Como isso é possível?

Jennifer Wu, um ginecologista e obstetra no Hospital Lenox Hill, em Manhattan, afirmou que era um caso de superfecundação, um fenômeno raro classicamente ilustrado em livros de medicina com um bebê preto e bebê branco que são gêmeos. Mesmo sendo pouco comum, pode acontecer de a mãe ter duas ovulações e duas fecundações simultâneas. Um espermatozóide pode ser viável por até cinco dias, disse Wu. Então, se a mãe, neste caso, teve relações sexuais com um dos homens, ovulou, em seguida, teve relações sexuais com o outro – tudo dentro do período de pouco menos de uma semana – o esperma de um homem poderia ter fertilizado um óvulo, enquanto o outro fertilizou o outro.O fenômeno tem se tornado mais comum com a disseminação das tecnologias de reprodução de apoio, ela disse, uma vez que às vezes ambos homens em casais homossexuais contribuem com esperma para uma gravidez. 

Não se sabe ao certo o que faz uma mulher --assim como fêmeas de diversas outras espécies-- produzirem mais de um gameta em um ciclo reprodutivo. Segundo o médico especialista em reprodução humana Arnaldo Cambiaghi, da clínica IPGO, isso acontece naturalmente, mas pode ser mais comum se a mulher estiver fazendo tratamento com indutores de ovulação. Apesar disso, ele diz que nunca acompanhou um caso de superfecundação heteropaternal.

 

Loteria 

É difícil estimar as probabilidades da ocorrência de uma superfecundação heteropaternal. A liberação de mais de um gameta por ciclo menstrual não é algo incomum, dada a quantidade de gestações de gêmeos não idênticos, ou seja, dizigóticos que vemos por aí. A incidência de gêmeos de qualquer tipo na população geral é de um a cada 80 partos. Já as chances de os gêmeos serem dizigóticos (bivitelinos ou "fraternos") dependem da idade da mãe (quanto mais velha, maiores as chances), do número de partos anteriores e de eventuais tratamentos para fertilidade, como explica o biólogo Jerry Borges, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e especialista em embriologia.

"Mulheres brancas têm, em média, um caso de gestação gemelar dizigótica em cada 100 partos. A ocorrência de gêmeos dizigóticos é mais rara em asiáticas (uma para cada 150 gestações) e mais comum em mulheres negras (uma em cada 79 gestações). Em certas áreas da África, inclusive, há um gestação gemelar em cada 20 partos", diz.

• Bruna Moura
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