catapora

De acordo com o último relatório da Rede Sentinela, a epidemia de catapora começa a enfraquecer, mas sete regiões ainda apresentam uma atividade leve ou moderada. Esta é a oportunidade de fazer um balanço sobre esta doença que pode afetar crianças e adultos.

Altamente contagiosa e comum, a catapora, também chamada de varicela, é uma doença que tem picos epidêmicos durante todos os invernos e início de primavera, durante os quais milhares de crianças e adultos são vítimas. 

Traremos informações sobre essa doença que permitirão reconhecer e evitar qualquer complicação em adultos ou crianças. 

Neste artigo falaremos sobre os seguintes pontos: 

- Catapora: uma doença viral muito comum

- Tempo de Incubação da catapora

- Sintomas da catapora: reconhecendo as feridas da catapora

- Catapora em bebês e em crianças

- Catapora em adultos- Como tratar a catapora?

- Catapora e contágio: modo de transmissão da doença

- Vacina contra a catapora: como funciona a vacinação?

- Catapora e gravidez: o que fazer contra a catapora em mulheres grávidas  

Definição: O que é catapora?

A catapora é uma doença eruptiva comum que é causada pelo Varicella Zoster Virus (VZV), um microrganismo que pertence à família dos Herpesviridae e só é presente em seres humanos. Também chamado de HHV-3, ele é transmitido muito facilmente de uma pessoa para outra, principalmente pelo contato direto com lesões das pessoas doentes, mas também por via aérea, quando essas pessoas doentes tossem ou espirram. 

Após a contaminação, o organismo se refugia no sistema respiratório antes de se multiplicar intensamente nos gânglios linfáticos durante vários dias. As partículas virais criadas migram do sangue para atingir a pele. É a partir desse ponto que os sintomas da catapora e as bolhas aparecem. A presença de partículas virais nestas lesões da pele permite, além da observação dos outros sinais, confirmar o diagnóstico da catapora. 

Em países de clima temperado, mais de 90% dos adultos tiveram catapora durante a infância ou a adolescência. Geralmente a doença se manifesta principalmente entre 1 e 9 anos, e afeta tanto meninas quanto meninos. No entanto, o vírus pode infectar pessoas de todas as idades, particularmente aquelas cujo sistema imunológico está enfraquecido, em quem a infecção pode ser grave. Por isso, é melhor saber identificar essa doença. 

Tempo de incubação da catapora

Como é causada por um vírus, a catapora não aparece imediatamente. Ela leva vários dias antes que seus sintomas surjam. 

O tempo de incubação começa logo após a contaminação e representa a duração necessária para que vírus VZV se multiplique no organismo da pessoa infectada. Em média, este período é de 14 dias, mas pode variar entre 10 e 21 dias. Durante este período, o paciente não apresenta nenhum sinal da doença. 

No entanto, isso não significa que a catapora não esteja transmissível. A pessoa infectada torna-se contagiosa muito antes do aparecimento das “bolinhas” ou de outros sintomas da doença. De acordo com especialistas, o período de contágio começa de 24 a 48 horas antes da erupção cutânea. O melhor é ficar atento e agir desde os primeiros sinais, se isolando da pessoa doente. Por isso, também é necessário reconhecer os sintomas e, especialmente, as famosas lesões na pele. 

Sintomas da catapora: reconhecendo as feridas da catapora

Após o período de incubação de 14 dias, em média, os sintomas da catapora começam a aparecer, incluindo as famosas feridas ou bolhas. No entanto, elas nem sempre são o primeiro sinal a aparecer. 

Sintomas: como reconhecer a catapora?

A pele é o principal alvo do vírus VZV. No entanto, o microrganismo passa vários dias no corpo antes de se multiplicar, os primeiros sintomas a aparecer não atingem a pele. Muitas vezes, antes que a catapora se manifeste, os doentes têm febre (geralmente leve), dor de cabeça ou dor de estômago, sinais de infecção pelo vírus. Em seguida, a erupção cutânea aparece. 

As lesões de pele são o principal sintoma da catapora. Elas inicialmente tomam a forma de pequenas bolhas ou manchas, rosadas ou vermelhas, dependendo da cor da pele. Elas podem ser confundidas com picadas de insetos ou espinhas. Normalmente, as lesões aparecem no couro cabeludo e no tórax antes de se espalhar para os membros e, finalmente, para o rosto. As bolhas também podem ser observadas nas mucosas. Mas as lesões não ficam o tempo todo no estado de mancha e se transformam, depois de algum tempo, em pequenas bolhas pequenas ou vesículas cheias de um líquido claro. 

Deste modo, diferentes formas de lesões podem coexistir no corpo, na medida em que se estendem. A evolução, no entanto, varia de um indivíduo para outro: alguns terão apenas algumas bolinhas que aparecem rapidamente, enquanto outros serão cobertos de bolhas em algumas horas. O número de bolhas pode variar, de 10 a 2000 mas, em média, é de 200. Muito frequentemente, estas lesões também são associadas a fortes coceiras. Quando elas estão mal localizadas, na boca ou próximas aos olhos, também podem provocar outros problemas, como dificuldades para se alimentar.

Risco de complicações em alguns casos.

Na maioria dos casos, a catapora é benigna e as lesões desaparecem sozinhas: após alguns dias, as bolhas secam e começam a formar crostas que, após algum tempo, caem. No entanto, em alguns casos, a infecção pode ser mais grave e levar a algumas complicações como, por exemplo, bolhas que se enchem de sangue, superinfecção das lesões da pele (no caso do paciente coçar) ou pneumonia por varicela, que se manifesta por sintomas pulmonares agudos (tosse, febre, dificuldade em respirar).

Em casos muito raros, a catapora também pode levar a uma sequela neurológica (encefalite). As complicações são observadas principalmente em pacientes imunodeprimidos, mas também pode ocorrer em adultos e crianças. Dependendo da idade do paciente e de seu estado de saúde, a gravidade da catapora pode variar muito. Melhor ter cuidado e consultar um médico no início dos sintomas.

Catapora em bebês e crianças.

Como explicado acima, quase 90% dos adultos tiveram catapora durante a infância, normalmente antes dos 10 anos. A doença é quase inevitável nos mais jovens.

Em 2011, mais de 500.000 crianças menores de 10 anos tiveram catapora, de acordo com os dados da Rede Sentinela. No berçário, escola e parques, as crianças estão em constante contato com outras. Como o vírus é muito contagioso, a transmissão se faz facilmente. No entanto, como é muito comum, a doença deve ser encarada com naturalidade, especialmente em bebês.

Os sintomas são os mesmos descritos anteriormente (uma febre moderada, possível dor de cabeça, estômago ou fadiga anormal). No entanto, estes sinais nem sempre são fáceis de se detectar em crianças pequenas, que não são capazes de se expressar com clareza. Muitas vezes o verdadeiro alerta é, portanto, o aparecimento das famosas bolinhas que crescem gradativamente. É importante consultar seu médico ou pediatra para ter certeza de que é catapora.

O diagnóstico geralmente é feito observando as feridas. O médico também pode perguntar aos pais se a criança esteve em contato com alguém doente. Na maioria dos casos, a doença é benigna e o sistema imunológico das crianças saudáveis combate sozinho o vírus em alguns dias. Se a criança frequentar a escola ou a creche, recomenda-se mantê-la em casa em repouso para que ela descanse e não contamine outras crianças. Lembre-se também de avisar o responsável do estabelecimento escolar que notificará os outros pais.

A maioria das crianças tem catapora apenas uma vez

Em recém-nascidos, principalmente, a doença deve ser observada com atenção para garantir que ela não piore. As complicações graves (incluindo infecções secundárias das bolhas) só ocorrem de 3 a 5% dos casos. No entanto, qualquer sinal suspeito deve incentivar uma nova consulta com o seu médico, que pode diagnosticar e receitar um tratamento, se necessário.

A maioria das crianças que contraem catapora só terão a doença uma vez e estarão imunizadas contra o vírus por toda a vida. Mas, em algumas condições raras, é possível que ela tenha a doença uma segunda vez durante a infância ou a idade adulta. Este pode ser o caso se o bebê infectado tiver menos de dois anos, se a primeira catapora contraída tiver sido leve ou se a criança estiver imunodeprimida.

Catapora em adultos

Embora seja reconhecida como uma doença infantil, a catapora pode ocorrer em qualquer idade. Em adultos, ela pode ser mais grave do que em crianças.

Na maioria dos casos, os afetados são pessoas que nunca tiveram a doença durante a infância ou que tiveram apenas sua forma leve. Após o pico entre 1 e 10 anos, existe um segundo pico entre 25 e 35 anos, que é idade em que os adultos tornam-se pais. Em contato com uma criança doente, não é incomum que eles sejam contaminados, se não estiverem imunes.

Embora a catapora seja benigna em pessoas mais jovens, ela pode ser mais grave em adultos e deve, portanto, ser levada à sério. No entanto, ela provoca os mesmos sintomas: febre, fadiga e uma erupção cutânea que é geralmente mais grave do que em crianças. Os primeiros sintomas sinalizam que o paciente deve consultar um médico, que confirmará o diagnóstico e prescreverá o tratamento de acordo com a intensidade da doença. Nos casos benignos, a catapora desaparece sozinha em poucos dias e as bolhas secam.

Mas há um maior risco de complicações em crianças e adultos imunodeprimidos, vítimas de doença pulmonar crônica ou pessoas que seguem alguns tratamentos (quimioterapia ou com corticoides, por exemplo). A complicação mais comum é a pneumonia de catapora que se manifesta como uma tosse seca, falta de ar ou dores torácicas.  As complicações neurológicas (meningite ou encefalite) são mais raras.

Na maioria dos casos, e quando não há complicações, a catapora é tratada da mesma maneira em crianças e adultos.

Como tratar a catapora?

A catapora geralmente é benigna, o organismo consegue combater a infecção sozinho. Mas alguns tratamentos podem ser úteis para aliviar os sintomas.

Tratamento: O que fazer em caso de catapora?

Desde o aparecimento dos primeiros sintomas da catapora, é necessário consultar um médico que confirmará o diagnóstico e prescreverá, ou não, um tratamento. Na verdade, como a catapora geralmente não é grave, um tratamento nem sempre é necessário. Quando é prescrito, o tratamento tem como objetivo combater os sintomas da doença: febre, dor de cabeça e bolhas.

Atenção: contra dores de cabeça e febre, é importante não tomar anti-inflamatórios que contenham aspirina, pois ela é fortemente contraindicada devido ao aumento do risco de uma doença potencialmente fatal chamada síndrome de Reye. Não se deve também tomar medicamentos à base de ibuprofeno, que foi associado a infecções secundárias mais graves. Por isso, é melhor usar paracetamol.

Não coce as bolhas

Contra as bolhas, não há nenhum tratamento específico. No entanto, é essencial evitar coçá-las para não causar infecções secundárias e reduzir o risco de formação de cicatrizes na pele. Por isso, é aconselhável cortar as unhas das crianças para não estimulá-las a coçar e evitar qualquer roupa que possa irritar as lesões. Estes conselhos também se aplicam a adultos. Contra as coceiras, o médico pode prescrever anti-histamínicos ou pomadas específicas que reduzem a vontade de se coçar.

Mas também existem remédios mais naturais: os banhos quentes (não prolongados) ajudam, principalmente, a aliviar a coceira. No entanto, em seguida, é necessário se secar bem sem se esfregar. Também é importante desinfetar as bolhas que surgirem com antisséptico, especialmente em crianças, para reduzir o risco de infecção. Deve-se evitar a poeira e a eosina. Aos poucos, as bolhas secam e formam crostas que caem sozinhas. Também é importante não retirar estas crostas.

Tratamento antiviral para reduzir a duração da doença

Quando os sintomas são graves ou há um risco de agravamento, o médico pode prescrever um tratamento antiviral que ajuda o corpo a combater o vírus. Geralmente esse antiviral é o aciclovir que acelera a cicatrização. Quanto mais cedo o medicamento é administrado, mais eficaz ele será. Assim, é preferível tomá-lo nas primeiras 24 horas após o surgimento da erupção.

Catapora e contágio: modo de transmissão da doença.

A catapora se caracteriza por sua alta contagiosidade, o que explica o grande número de pessoas contaminadas todos os invernos pelo vírus VZV.

O vírus VZV é um microrganismo extremamente frequente que é transmitido com uma grande facilidade, daí a alta contagiosidade da catapora. Estima-se que, geralmente, o indivíduo infectado torna-se contagioso de 24 a 48 horas antes do aparecimento das primeiras bolhas e continua contagioso até que elas estejam cobertas com uma crosta.

Com efeito, o líquido contido nas lesões é rico em partículas virais. Em caso de contato direto, o vírus pode facilmente passar de uma pessoa para outra através da pele. Mas a transmissão também pode ser feita pelo ar, se o paciente tossir ou espirrar. O vírus entra através do nariz ou da boca.

Por isso, é melhor isolar as pessoas contaminadas, independentemente da sua idade, e evitar qualquer contato com pessoas vulneráveis, como crianças e idosos. Se uma pessoa já tiver contraído catapora durante a infância, ela pode ser exposta normalmente a um indivíduo infectado sem pegar a doença.

Vacina contra a catapora: como funciona a vacinação?

A catapora é uma doença viral e é possível se vacinar para preveni-la.

Vacina contra a catapora

Para prevenir a catapora, como a maioria das doenças virais comuns, é possível recorrer à vacinação. Ela é feita por meio da injeção de um vírus VZV tornado inofensivo para incentivar o corpo a produzir anticorpos contra o microrganismo. Quando o indivíduo é realmente infectado com o vírus, o sistema imunológico reage de forma mais eficaz e rápida para lutar contra o agente.

No entanto, como a catapora é benigna na maioria dos casos, em alguns países, as autoridades de saúde decidiram não recomendar a imunização sistemática em crianças. Mas todos os especialistas concordam que a vacina, que pode ser administrada em pessoas saudáveis a partir de 12 meses, é altamente recomendada em certas circunstâncias para evitar a infecção ou reduzir a gravidade dos sintomas.

É o caso de pessoas adultas (maiores de 18 anos) que foram expostas a um indivíduo doente, mas que nunca tiveram catapora ou não sabem se já tiveram. A vacinação também é recomendada para adolescentes de 12 a 18 anos e mulheres em idade fértil que não têm história clínica de catapora, assim como para qualquer profissional em contato com crianças pequenas ou pessoas imunodeprimidas.

Uma imunidade menos eficaz do que a imunidade natural

Duas vacinas monovalentes atualmente estão disponíveis (Varivax e Varilrix) sob a forma de duas injeções com um espaçamento de várias semanas. Há também vacinas combinadas para sarampo, caxumba e rubéola e catapora com duas doses espaçadas por pelo menos um mês. No entanto, alguns estudos sugeriram que a imunidade da vacina dura menos tempo do que a imunidade adquirida naturalmente após contrair a doença. A sua eficácia, portanto, ainda é debatida.

A catapora e gravidez: o que fazer contra a catapora em mulheres grávidas?

Em adultos e crianças saudáveis, a catapora geralmente é curada sem complicações. Mas quando ocorre em mulheres grávidas, pode levar a sérias consequências para a futura mãe e para o feto.

Como algumas outras doenças, a catapora é um grande risco para mulheres grávidas. Se a mulher já tiver contraído a doença anteriormente, ela e seu bebê estarão imunizados. No entanto, se ela nunca contraiu a doença, os dois estarão propensos à infecção durante a gravidez, o que pode trazer consequências graves para mãe e filho. Mas tudo vai depender do estado da mãe e o momento de contração da catapora: no início ou no final da gravidez.

Em mulheres grávidas, a doença pode causar sérios problemas pulmonares, como a pneumonia por varicela que se manifesta por tosse, febre alta e dificuldade em respirar. Por isso, é necessário acompanhar de perto quaisquer sintomas que afetem os pulmões. No feto, dois períodos são particularmente perigosos. O primeiro estende-se da 6ª a 22ª semana de gravidez, e o segundo período corresponde aos dias que precedem o parto.

Risco de cicatrizes e malformação

Se o feto for infectado durante o primeiro período, há um risco de catapora congênita: ela é particularmente perigosa e pode deixar grandes cicatrizes na pele do recém-nascido. Também pode provocar atraso de crescimento, malformações, doenças oculares ou problemas cerebrais.

Se a mãe contrair catapora 5 dias antes ou 2 dias após o nascimento, existe um risco de varicela congênita neonatal. A doença transmitida para o bebê pode causar infecções pulmonares, neurológicas ou grandes erupções cutâneas. Muito grave, este tipo de catapora apresenta um risco de mortalidade de 20%.

Cuidado com as mães não imunizadas

Para prevenir o risco, os especialistas recomendam que todas as mulheres grávidas sejam questionadas sobre a doença em sua primeira visita pré-natal. No entanto, como isso nem sempre acontece, as gestantes devem tentar se lembrar se já tiveram catapora. Se elas não souberem, é possível pedir ao médico um exame de sangue para detectar a presença de anticorpos.

Se ela não for imune, o médico pode sugerir um tratamento preventivo à base de anticorpos antivirais. Obviamente, é aconselhável que essas mulheres evitem o contato com qualquer pessoa doente e alertem rapidamente o médico caso isso aconteça. Neste caso, ele poderá prescrever um tratamento para a mãe, monitorar o estado de seus pulmões e realizar um acompanhamento rigoroso do feto, utilizando principalmente ultrassons.

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