Calvície: uma nova pista descoberta para estimular o crescimento dos cabelos?

Calvície: uma nova pista descoberta para estimular o crescimento dos cabelos?

Fazendo experiências com ratos, pesquisadores americanos descobriram que certas células imunológicas tinham um papel crucial no crescimento dos cabelos. Uma descoberta que pode levar a uma nova pista para tratamentos.

Em termos de cabelo, não somos todos iguais. Algumas pessoas terão cabelos brancos muito cedo, enquanto outras manterão a cor por décadas. Da mesma forma, se alguns homens mantêm a cabeleira até a velhice, outros serão forçados a dizer adeus aos seus cabelos em uma boa parte do crânio. 

De acordo com estimativas, cerca de quase um em cada dois homens de 50 anos sofre de calvicie. Apesar desta incidência relativamente alta, a perda de cabelo nem sempre é fácil para esses senhores. Especialmente porque é muitas vezes irreversível. 

Atualmente, os pesquisadores identificaram vários fatores por trás das diferentes formas de alopecia (perda de cabelo) e calvície. Mas parece que ainda estamos longe de saber tudo sobre o fenômeno. É o que sugere o trabalho de pesquisadores que acabaram de descobrir o papel até então desconhecido de certas células na perda de cabelo. 

Folículos capilares que se tornam ineficazes  

Para entender, devemos voltar à etapa de "fabricação" dos cabelos. Eles são produzidos por folículos capilares, pequenas cavidades que abrigam as raízes de cada cabelo durante o ciclo completo. Mas "nossos folículos pilosos são constantemente reciclados: quando um cabelo cai, uma porção do folículo piloso deve voltar a crescer", diz Michael Rosenblum, professor assistente da Universidade da Califórnia em São Francisco. 

A calvície ocorre quando os folículos pilosos tornam-se incapazes de substituir o cabelo perdido. Gradualmente, o crânio vai perdendo o cabelo até ficar completamente  calvo. Já se sabia que o fenômeno geralmente ocorre sob a influência de certos hormônios masculinos e é causado por uma disfunção das células-tronco do folículo capilar. Mas essas células não são as únicas envolvidas, disseram os pesquisadores.  

"Acontece que Tregs [células T reguladoras] também são essenciais - se você desativar esse tipo de célula imune, o cabelo simplesmente não cresce", diz Michael Rosenblum, autor do novo estudo publicado on-line pela Cell. 

Uma descoberta inesperada no rato  

A função das células T reguladoras é informar o resto do sistema imunológico do que é corpo estranho ou não e controlar o processo de inflamação. Quando elas não funcionam corretamente, podem desencadear alergias contra substâncias inofensivas ou doenças auto-imunes.

Como outras células imunes, Tregs estão presentes nos tecidos linfáticos, mas também em outros como a pele. Durante um experimento, Rosenblum e sua equipe queriam estudar o papel dos linfócitos na saúde da pele. Para isso, eles desenvolveram uma técnica para desativar temporariamente o Tregs e aplicá-las a camundongos cujas porções de cabelo foram raspadas para ver melhor os resultados na pele. 

Para sua surpresa, eles descobriram que as Tregs pareciam ter um impacto no crescimento do cabelo raspado. "Percebemos rapidamente que as porções de cabelos raspados nunca voltaram a crescer e pensamos" Mmm, isso é interessante ", disse Rosenblum. Outras experiências confirmaram essa correlação. 

 Células-tronco diretamente ligadas a linfócitos 

Os resultados mostraram que as Tregs estão diretamente relacionadas às células-tronco nos folículos capilares. Quando os folículos iniciam seu ciclo de regeneração usual, o número de Treg triplica e desencadeia a ativação das células-tronco. "É como se as células-tronco da pele e Tregs tenham evoluído, de modo que as Tregs não só protejam as células contra a inflamação, mas também participem do processo regenerativo".

"Células-tronco dependem completamente das Tregs para saber quando é hora de começar a regenerar", resumiu Rosenblum. Ao se concentrar em genes associados à alopecia, ele descobriu que muitos deles também estavam ligados a Tregs. De acordo com a equipe, esta descoberta poderia ter implicações para uma melhor compreensão da alopecia areata, uma forma auto-imune de alopecia, mas também a calvície em geral.

Mais interessante ainda, também poderiam oferecer uma nova ideia de tratamento para o aumento de cabelo. "Pensamos em células imunes como células que chegam em um tecido para combater uma infecção, enquanto as células tronco poderiam ser usadas para regenerar o tecido quando danificado", disse o dermatologista.

"Mas o que encontramos [com esta pesquisa] é que as células-tronco e células imunitárias precisam trabalhar juntas para tornar o processo de regeneração possível", concluiu. 

• Marcos Silva
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